quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Balanço do ano 2009.



Se o Lula fez, o Obama fez, o Márcio fez (olha a companhia que você tá, hein?), achei por bem do tom, fazer o meu.

Não irei pelas análises políticas ou econômicas por não ser gabaritado, por já as exibi-las muitos e principalmente porque não quero. Mas farei um balanço pessoal meu e de amigos.

Se a mídia contou o ano pelo re-arranjo da economia pós-crise, pelas crises no Irã, Venezuela, Coréia do Norte, Olimpíadas de 2016, COP-15, IPI reduzido, campanha eleitoral antecipada; meus amigos, por seu outro lado assim refletiram sobre 2009:

Pedro contou o ano pelo número de mulheres que conquistou. Foram muitas (não me atrevo a colocar o número aqui) e ele pediu pra agradecer a todas pelos belos momentos de carinho, afeto e alegria que lhe proporcionaram. Pedro amigo, crie juízo e que em 2010 se faça pela qualidade. Sejas feliz.

Luís se apaixonou três vezes, uma loura, uma japonesa e uma mulata. Três mulheres lindas e admiráveis que foram suas companheiras queridas na eternidade que é o breve instante de uma paixão e muito lhe ajudaram na busca por ser um homem melhor. Luís, quem nunca amou não merece perdão, já dizia o poeta. Ame sem medo, pois paixão sem sofrer não é paixão, é como querer viver em vão.

Júlio iniciou seu blog e escreveu mais de cem artigos lidos por mais de dez mil pessoas e que renderam um lucro de 1,25 dólares. Felicidades Júlio, continue firme nesse oceano de informações que é a internet.

Marcelo começou uma faculdade, creio que sua terceira e passou com boas notas em todas as matérias. Querido espantalho, que venha um bom diploma e muita sabedoria.

Alvinho tá fazendo boxe e jiu-jitsu e já quebrou um dedo. Isso aí Alvinho, a vida tem seus pedágios.

Cléber fez boas amizades e espera poder ajudar de alguma maneira. Cléber, nossa importância está naquilo que fazemos para o mundo, e não no que ele nos dá. Um 2010 de muitas importâncias pra você.




Meus pais receberam o reconhecimento pela comissão de anistia de sua luta por toda a sua vida, seu sacrifício pelo país e pela democracia. Obrigado por tudo e feliz ano novo.

Minha irmã foi assaltada duas vezes à mão armada e enfrenta problemas na sua empresa. Crise. Que esse 2010 traga muita paz e prosperidade.

Maria Paula, minha sobrinha levada, terminou o pré-escolar e ganhou do tio muitas histórias loucas, alguns passeios ao Jardim Botânico, Parque Laje, Parque do Flamengo, teatros, cinema, cinema 3d, patins, 3 bonecas, um pula-pula, um patinete, um cavalinho de balanço. Ficou doente algumas vezes e vem enfrentando o divórcio dos pais. É MP, o mundo não é para amadores, vai se acostumando. Que Deus te proteja nessa aventura indecifrável que é a vida.

A Ópera Prima, empresa onde eu trabalho teve um ano excepcional, dezenas de comerciais, programas políticos, institucionais, participou de vários longas-metragens, entre os quais VIPS da O2, Os Mercenários (Silvester Stallone), Lula, Filho do Brasil (desejamos ao Fábio Barreto plena recuperação e saúde.), videoclipes, peças de teatro; participou de várias concorrências, ganhou algumas, perdeu outras. Criou a Ourtv, empresa de tv indoor, e a divisão de games. Foi indicada para o prêmio TOP Excelência Empresarial de 2009, e foi acusada por adversários políticos de um de seus sócios de não existir e ser uma empresa de fachada, o que é estranho já que se não existisse não teria realizado tudo o que foi dito acima. Um ótimo 2010 para todo o pessoal e que esta equipe maravilhosa continue firme e cada vez mais eficiente.

O livro Cajuínas aparentemente se concluiu, foi lançado em e-book aqui no blog e vai se auto-revisar em 2010 para se lançar em papel enquanto essa possibilidade ainda está na mesa. Seus personagens já saíram das prateleiras da imensa biblioteca do livros nunca escritos, lá no reino de Morpheus, e garantiram sua existência. Neco Valões em sua busca Luzia, Henrique Anastácio na luta em pagar sua dívida centenária, o saci cajuíno pulando pela história do Brasil. joão cor da noite do sorriso de açúcar e o olhar café. Sorriso doce e o olhar amargo de quem ama,  entre o nada e o lugar algum, cruzando o caminho de quem vai como quem vem. Carla Maria em sua jornada ao inferno. Zorba, o marinheiro Grego navegando na precisão da vida. Nina bebendo o cálice amargo da vingança. Clara em sua beleza porcelana, Helena em sua sensualidade canela. Assim essas vidas cajuínas em suas guerras e andanças pela vida e pela história do Brasil, já não me acompanham mais enquanto imaginação própria, mas largam o ninho e ganham mundo deixando saudades.


Isso aí, um feliz 2010 para todos, muita paz, amor, afeto, sucesso, dinheiro e felicidade.


E mais, o Flamengo  é Hexacampeão brasileiro de futebol! MENGOOOOO!!!!!!







@cajuínas

domingo, 20 de dezembro de 2009

Mangueira mais parece um céu no chão!



Nas minhas voltas pela vida e pela noite carioca, fui parar no ensaio da Mangueira neste sábado. O táxi nos deixou na entrada da favela, um amigo que me acompanhava ficou desconfiado, natural, um ambiente diferente, onde pela imprensa sempre vemos cenas de conflitos e etc. A desconfiança foi vencida na barraca de drinks (tinha até mojito) ao lado da de churrasquinho.

Encontramos com o resto do grupo e entramos. Ainda rolava o show de aquecimento antes do ensaio.  Um grupo de sambafunk tocando Bebeto, Jorge Benjor, etc. Então começa o ensaio anunciando pela diretoria da escola. Abrem-se as cortinas e a bateria dá o seu recado. Ao fundo acima, São Sebastião, Nossa Senhora e São Jorge, pros sincrestistas, Oxossi, Iemanjá e Ogum.


A bateria da Mangueira, sob direção de Jaguara filho, é realmente algo de.. sei lá, não sei. Mas treme o chão, os pés recusam pisar.  Aí deu pra entender porque parece um céu no chão. Em meio à quadra, Queila Mara começou a evoluir (fico na torcida pra que seja solteira). Fez-se uma roda ao seu redor e alguns passistas da antiga, ou outras passistas entravam e evoluíam. É impressionante o prazer com que Queila samba. Sambou quase a noite toda, só parava para tirar fotos, sua simpatia é única, pois foram muitas e muitas fotos. O ritual do samba com a roda, lembra um pouco o candomblé, ou como meu amigo disse, raízes africanas. Tá tudo lá, o ritmo, a música, a dança, a roda, os santos, a referência aos antepassados e Queila Mara ao centro, como uma divindade, uma poesia de Yansã com sua elegância.

O ensaio continuou e a escola demonstra unidade e vontade de ganhar. O enredo é sobre si mesma, uma metalinguagem que me incomoda um pouco. Vejamos como será o carnaval de Jorge Caribé e Jaime Sezário. Renata Santos esteve majestosa à frente da Bateria e um destaque especial deve ser feito ao casal de mestre-sala e porta-bandeiras, Raphael e Marcela Alves. O mestre-sala tinha a função de proteger a porta-bandeira enquanto ela evoluía. A realidade mudou e já não é mais necessário a preocupação com algum ataque de adversários para roubarem a bandeira durante o desfile. Mas por tradição, é legal ver o mestre-salas dançando em harmonia, ligado na porta-bandeira, e não simplesmente fazendo performances. Foi lindo e o casal é maravilhoso.

Uma noite linda, todo mundo se divertindo, dançando, tocando, namorando e tudo na paz.




@cajuínas

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Copenhaguen e Eu com isso?



Venho recebendo e-mails para assinar uma pressão sobre os líderes mundiais em Copenhaguen, vejo as matérias indignadas na imprensa sobre o fracasso das negociações e a apatia dos negociadores, assim como a omissão dos líderes.

Nós todos nos indignamos e apontamos os dedos em acusação aos nossos líderes e os líderes da China, EUA, Europa, como se a culpa pela aquecimento global fosse unica e exclusivamente deles pelo fracasso das negociações. Mas eu pergunto, será que nós queremos mesmo proteger o clima e salvar o planeta? Ou isso é um sonho, não tão bom o suficiente para abrirmos mão de nossa opção de vida, de nosso prazer em consumir?



Metas de emissão de CO2 podem significar que não iremos trocar de carro todo ano, de computador a cada dois, de celular cada vez que sai um modelo novo. Pode significar que iremos comprar menos roupas, calçados e nosso armário permaneça com as mesma peças até elas se acabarem de tanto uso. Teremos que usar menos eletrodomésticos, menos maquiagens, comer menos carne, andar menos de carro e pegar ônibus lotado, além de esperar horas no ponto, fora o medo de ser assaltado. Bolsas novas? Rs. Esquece o rodízio da churrascaria. Pros vegetarianos também temos um pacote, nada de soja o tempo todo, suco de leite de soja, proteína de soja, missô... vamos pagar mais pelos vegetais se quisermos comer os orgânicos. Comer peixe? Pesca artesanal, a industrial tá acabando com fauna marinha, ou seja, menos idas ao japonês, menos salmão.  Ah sim, nada de ficar trocando os móveis da casa, pra quê? Os antigos ainda estão em condições de uso. Mas e a economia que precisa desse consumo para alavancar, crescer, gerar postos de trabalho?

Se toda a população mundial tivesse o padrão de consumo da classe média estadonidense, o planeta não daria conta. Afinal, o planeta terra é uma certa quantidade de massa, de matéria. Não há milagre, é uma questão de matemática, temos uma quantidade de massa X, a equação que utilizarmos, seja qual for, tem que dar X.


Nossos líderes nos representam, mesmo nas ditaduras. Se eles emperram as negociações, estão atendendo às nossas demandas, nossa pressão pelo crescimento econômico, pela geração de emprego e por nosso direito ao consumo, a ter uma televisão em cada cômodo, três celulares novos, dvd, blue-ray, computador, notebook, mix, liquidificador, microondas, forno elétrico, sacolas plásticas dos supermercados, quantidade sem fim de lixo, embalagens, guimbas de cigarro, pets, copos plásticos, canudos, hashis, isopor do sanduíche, e pilhas...! Gente será que eu vou ter que parar de usar meu controle remoto e levantar pra trocar o canal da tv? Mas aí é muito radicalismo. Parece como era no tempo dos meus pais. Como eles faziam sem celular, computador, Ipod? E meus avós que não tinha nem carro, telefone, somente um relógio de corda? Como eles conseguiram sobreviver e terem uma vida longa, produtiva e feliz?


Não, na verdade eu não quero nem pensar nisso, eu só não quero ser hipócrita de exigir de outros sacrifícios que eu nem sequer considero como hipótese. Parar de culpas os outros, quando sou eu que estou no campo jogando.



Eu quero me perguntar, será mesmo que eu me preocupo com o clima? Ou é só uma emoção, como a de assistir Pinóquio e chorar, para depois, sair do cinema sem nem perceber os meninos de rua, drogados, abandonados, violentados, desmoralizados?




@cajuínas

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Uma noite no subúrbio




Sábado agora fui ao clube River em Piedade (tem razão Márcio, ato falho) para a festa Funk Soul Black. O baile abriu com Dj Corello (quem andou pelos bailes dos subúrbios nos anos 90 sabe quem é, seguiu um caminho diferente do DJ Malboro, foi pro charme ao invés do funk galera)  tocando em vinil, é muito bom ouvir os graves do vinil de vez em quando. Depois Dj Português (cuidado que há mais de um com este nome) entrou com Miami Base, também no vinil e a festa seguiu com shows da Trinere seguida por Stevie B, quem tem mais de trinta lembra dos dois.

Vale a pena a zona sul ir ao subúrbio de vez em quando. A cidade do Rio de Janeiro com sua fama de acolhedora, é na verdade partida e desconfiada. O taxista que nos trouxe de volta, trabalha na Glória, mostrou uma desconfiança indisfarçável com relação aos frenquentadores do baile.

Mas foi tudo de bom, duas pistas, uma principal, onde houve os shows e outra menor tocando soul. A rapaziada mandou ver, aqueles passinhos coreografádos que já não se vê mais. Muita elegância, tranqüilidade, alegria, cerveja e muito som na caixa.

Mais:
http://blackfactory2.blogspot.com/2009/07/bf-isso-sim-e-movimento-funk.html

http://humbertodiscofunk.blogspot.com/





@cajuínas

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

HEXACAMPEÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



Flamengo, assim você me mata do coração!!!!

Título do Flamengo tem que ser sofrido. Que início de jogo ruim e tenso. Logo agora o Grêmio resolve fazer sua melhor partida do campeonato?!  Valeu, legitima-se a vitória do Flamengo.

O Flamengo foi sem dúvida o time que mais mereceu esse título, Andrade merece mais que todo mundo. Fica a torcida para que não lhe aconteça mesmo que houve com o Carlinhos, sempre posto de lado e só lembrado no desespero.




Se o Flamengo tem seu maestro, Andrade, seu artilheiro, Adriano, seu garçom, Pet, tem também seus leões: William foi o grande leão rubro-negro durante essa reta final de campeonato. Os outros dois foram Ronaldo Angelim, que mereceu muito fazer o gol salvador e Álvaro, que assistiu na agonia do vestiário, impedido de entrar por conta da suspensão. Mas David foi a estrela, como diria Nelson Rodrigues, sem sorte nem picolé na esquina, o garoto entra e faz o gol do empate, vai ter sorte assim na...

O time sentiu o peso do jogo e ficou nervoso, mesmo Bruno não se colocou bem no gol gremista. Tudo bem,  Bruno foi um gigante durante todo o ano. Toró, Zé Roberto, Leo Moura e Juan jogaram abaixo do que costumam. Juan ainda não se recuperou totalmente desde que voltou a jogar. Aírton, ah se aquela bola entra...

De qualquer forma o Flamengo foi um time de heróis, essa campanha nunca será esquecida. Deu no que deu, quando diretoria, clube, comissão técnica, torcida e time selam esse tipo de união que somente quem ama o futebol pode entender. O Flamengo é o time da mística, da garra, é o time que mexe com o Brasil como nenhum outro.

Onze homens no gramado, embalado pelo grito de cem mil porta-vozes de trinta e três milhões de corações rubro-negros. O país ficou em suspenso, calou-se ao gol do Grêmio e gritou junto mais três vezes, ao gol de empate, ao de virada e ao final, quando não parou mais. As câmeras de televisão balançaram junto ao estádio, era muita emoção, as estruturas do Maracanã vibraram à pressão de tanta torcida. Toda torcida vitoriosa passa pelo mesmo processo, agonia e alegria.




Flamengo é assim, não basta vencer, tem que fazer sofrer um pouco, como foi em 80, 82, 83.


Futebol é assim, não basta ver, tem que sentir a emoção!





@cajuínas

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

33 milhões em ação!





Imaginem o que vai ser as 70 mil testemunhas desse momento mágico no Maracanã no domingo. 70 mil porta-vozes de 33 milhões de corações batendo em uníssono.


O que é essa alegria angustiante do futebol, onde por 90 minutos, milhões se calarão juntos e gritarão juntos, na dor ou na alegria, na raiva necessária onde podemos esquecer o ônibus lotado do dia-a-dia, o patrão pedante, o cliente irritante, o sol de maçarico, o grito da britadeira, do trânsito, da mulher, dos filhos, da vida.



E a vida rubro-negra? Em 17 anos de espera pra gritar de novo, É CAMPEÃO BRASILEIRO!!! Gritar pra quem, que não seja outro que o Andrade, a antítese da era Dunga, de resultados, força e pouca alegria em assistir um jogo? Andrade foi o último grande cabeça-de-área, o último gênio da posição. Criticado por trazer de volta o futebol dos anos 80, ingênuo? Pode ser, mas muito mais emocionante. E o que queremos? Emoção, drible, irresponsabilidade garrinchiana, leveza Pelé, alegria Zico.

Outros tempos, outra emoção, um campeonato que embora mais justo, não tem a tensão da final, onde o pior derruba o favorito, onde o time com melhor campanha pode perder tudo. Mas é disso o futebol, dessa alegria tensa, angustiada, sofrida, gritada. Grito da torcida, do gol, do campeão. Choro do derrotado. Gaitisse do dia seguinte e assim caminha o folclore de quem diz não ser o futebol esporte e sim arte. Sentido, bem cá que faz, afinal qualquer esporte o assim é pra quem o pratica, pra quem o assiste, é entretenimento.

Por entretenimento assim o ser, assim deveria ser tratado e que a beleza e o prazer de quem o assiste fosse levado a sério. Justo, pois é quem paga o show.Show dos astros da bola, cada vez mais raros e caçados em campo em nome da eficiência tática (leia-se porrada no craque).



Mas nessa semana o que temos, são 33 milhões em ação, pra frente Flamengo do meu coração!

33 milhões de surdos batendo em peitos rubro-negros,
33 milhões de esperanças, medo.
66 milhões de olhos e ouvidos atentos às 22 chuteiras dos guerreiros da nação,
onde hoje o artista da bola da lugar ao sangue da raça.

O gramado consagrado do Maraca (o qual querem impludir para modernizar - ou seja, fazer um shopping, estacionamento, etc.) onde antigos rivais vão fazer história. Cabe aos que dela serão lembrados, ou lamentavelmente quererem ser esquecidos, como os quase campeões de 1902, 03, 04... até os dias de hoje.

Aos 33 milhões de nervosismos, fazer sua parte, torcer.






@cajuínas

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Gaiatisse de torcedor



O futebol nos proporciona momentos extra campo memoráveis.

Conversa entre um flamenguista e um tricolor no Boteco da Praia, tradicional boteco do Flamengo, ali ao lado da UNE, sobre a derrota do Fluminese pro LDU por 5X1.

Flamenguista:
- Rapaz, não fica assim, não. Vocês têm que acreditar.

Tricolor:
- Mas vai ser difícil... 5X1...

Flamenguista:
- E daí que vocês tomaram de cinco? Agora basta dar de quatro.

Pausa de três segundos.

Tricolor:
- Dar de quatro é o caralho!





@cajuínas

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Coleção Belas Cenas do Cinema

(Quanto Mais Quente Melhor).

Excelente comédia, considerada uma das melhores do século XX. Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon) têm que se disfarçar de mulheres para fugir de gangsteres. Claro, passam por várias situações engraçadas e Joe se apaixona por Sugar (Marilyn Monroe). A cena que é famosíssima e deliciosa é a final, onde o milionário Osgood (Joe Brown) impõe um casamento à Daphne, na verdade Jerry. Este último vai argumentando os motivos pelos quais não podem casar, mas nada demove Osgood de sua idéia. Até que ao fim vem a famosa fala. Genial. Atuações geniais que marcaram a história do cinema. Um grande viva pro Jack Lemmon, um ator eterno.



Quem quiser saber mais: Artigonal, texto de Alexandre Augusto Fernandes da Silva



@cajuínas

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Aconteceu em Woodstock



Taking Woodstock de Ang Lee, um filme bacana, não vou me ater tanto aos aspectos do filme como fotografia (correta, faz referência à época e portanto, conservadora, alguns erros de continuidade e de eixo, na sala onde assisti, a máscara de projeção era 16X9 -1:66, portanto um pouco estreita, mas creio que é mais uma referência), edição idem à fotografia, com o uso de algumas multi-telas e wipes, nada surpreendente; sonorização muito boa, e trilha sonora de época, não podia deixar de ser.


Prefiro falar da construção dos personagens. Um elenco muito bom. Muito interessante os contrastes dos Hippies com os yuppies, os caipiras e wasp, veteranos de guerra, policiais e os próprios hippies/empresários. Mas vou me focar em dois personagens, Elliot (Demetri Martin), o principal e sua mãe, Sonia (Imelda Stauton).  Elliot é um personagem todo bem estruturado, um filho que assume a responsabilidade de tomar conta dos pais velhos e falidos, e cuja objetivo dramático é justamente se libertar deste fardo. Demetri compôs seu personagem na maneira de andar, falar, o cabelo, sua timidez, sua maneira de vestir. O personagem Elliot é bem auto-explicado, tanto suas motivações, suas fraquezas, sua homossexualidade é muito bem colocada, e seu choque ao se deparar com o gigantismo que foi Woodstock, às drogas até que por fim, resolve tomar as rédeas de sua vida.



Sonia está muito agressiva em sua linha dramática, a personagem chega a ser irritante, a ponto de o roteiro ter que explicá-la: no início, contando de sua infância fugindo das perseguições nazistas e stalinistas aos judeus, e adiante, quando ao ser desmascarada pelo filho, diz a fala: Eu tinha medo. Imelda é excelente atriz, mas a personagem tem falhas na construção da trama, é avara demais, agressiva demais, chata demais.


Woodstock:




A sociedade americana é sem dúvida a mais influente do mundo desde o fim da primeira guerra mundial. Que outro país teria um festival de rock numa área rural, que moveria o mundo e influenciaria todas as gerações seguintes? Um festival de música que foi em verdade um ato de protesto e resistência ao próprio país, seu conservadorismo, sua atitude imperialista (como a guerra do Vietnã), seu governo, seus preconceitos.

O filme consegue apresentar isso. A crítica à guerra, e a crítica aos Hippies e àquele mundo proposto de drogas, ausência de objetivos, raízes, drogas, promiscuidade e etc.

Vale uma conferida.



@cajuínas

domingo, 15 de novembro de 2009

Sobre o Cajuínas, um breve argumento metido à besta.

Muitos me perguntam sobre o que trata o livro Cajuínas. Pergunta justa, aí vai.




Este livro é o resultado de um trabalho de sete anos de pesquisa e criação. Cajuínas é um livro de contos entrecortados e interrelacionados, sobre personagens reais e mitológicos que povoam a história do Brasil. Tanto a história factual quanto a lendária.


Cajuínas recebeu forte influência do meu trabalho na direção do filme "Histórias". É um filho da tradição oral com a literatura brasileira, onde resgato histórias contadas por meus avós e pais, dos livros de histórias e de narrações de contadores com quem tive contato.


Em Cajuínas me permiti brincar tanto com a linguagem narrativa, imprimindo um ritmo musical xoteado ao texto, permeando a prosa com a rima; como repensei a própria língua, reformulando a função das palavras na frase, a locução verbal e até mesmo, pasmem, a ortografia (como diria meu narrador: Por nada, até que não. Mas achei, no abuso, uma sua graça) .


Ao narrar histórias inspiradas em fatos reais, ocorridos a quem contou, ou presenciados por estes, tanto quanto os fatos registrados nos anais históricos do país, não tive o menor compromisso de relata-los como os ouvi, li, ou conheci, mas, pelo contrário, me permiti reinventá-los, reinventando assim, a mim mesmo.


Espero que gostem. 


Para baixar clique aqui. 0800 galera!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Uma reflexão sobre o processo criativo


Palestra da escritora Elizabeth Gilbert, (Comer, rezar, amar) pescado do blog Livros e Afins. Elizabeth faz uma abordagem interessante sobre o processo criativo, negando a individualidade e colocando-o dentro de um processo maior. Para Elizabeth este processo é metafísico, eu já o observo dentro de uma realidade sócio-histórico-cultural-psicológica. Ou seja, penso que no processo criativo, as gerações que nos compõem, nossa história, nossa cultura, nossa experiência pessoal, entram em contato. 

Se eu penso em português, minha língua natal, logo toda a minha carga criativa está inserida dentro desse contexto no qual me encontro. Pensando em português, toda a minha forma de ver o mundo e me relacionar com este é específica. Por estar no momento histórico em que vivo, por ter tido a vida que tive, ouvido, visto, aprendido, experimentado o que experimentei ao longo da vida, por ter tido o aprendizado que tive de minha família, das escolas e amigos que tive, somado à forma como minha sensibilidade entende o mundo e todo o processo por que passo; sou o que sou e produzo o que produzo.

"Todo homem nada mais é do que sua própria história naquele momento. Tudo aquilo que viveu, e portanto, viu, sentiu e aprendeu, compõe o que ele é com o instante no qual se encontra." (in Cajuínas).

O instante no qual nos encontramos é todo o processo histórico que resultou neste instante. A nossa própria história é a vida de todos aqueles que vieram antes de nós.

"Até mesmo porque nós não somos somente nós, mas sim, aqueles que caminharam sobre a terra, atravessaram rios, mares, venceram montanhas, plantaram nos vales, dragaram pântanos, caçaram nas planícies. Nós somos aqueles que lutaram, guerrearam, mataram, morreram, escravizaram, foram escravizados, perseguidos, perseguiram. Nós somos aqueles que se juntaram em povos, construíram nações. Aqueles que estudaram as estrelas, as marés, as matemáticas, as línguas, as filosofias, as artes. Estudaram Deus e até hoje tentam Entendê-lo. Nós somos aqueles que continuarão daqui pra frente. Nossa sabedoria pequena não é um presente, ou uma dádiva, é em verdade, uma ferramenta, como um martelo ou um pincel. À nossa sabedoria devemos, ela tem preço. Ela é nossa missão de construirmos vidas melhores. Os nossos saberes são pequenos rios que devem correr para o mar, onde repousa toda a Vontade de Deus." (in Cajuínas)








@cajuínas

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Me desculpem os outros times, mas Flamengo é nação




Muito legal. Só mesmo o Flamengo pra ter um gringo doido que mistura blues, funk e samba num hino de amor ao clube em inglês.

Desculpem os outros, mas é chato ser gostoso...





@cajuínas

Aderi ao e-book, mas esse Paulo Siqueira não sou eu


Esse livro não é meu mas do meu xará Paulo Siqueira e está sendo lançado hoje em todo mundo pela web (clique aqui). Achei interessante o formato de lançamento mobilizando blogs e blogueiros do mundo todo.

É isso aí, o virtual em nossas vidas.

Abaixo a lista dos blogs que toparam a parada. Legal, porque além de divulgar o livro, divulga-se também os blogs, um estímulo a mais pra que quis se engajar.




Estão participando do lançamento do Web 2.0 - Erros e Acertos - Um guia prático para o seu projeto, os seguintes blogs:
Irradiando Luz, Dossiê Alex Primo, Não Zero, UsuárioCompulsivo, Nerds Somos Nozes, Zerotrack, Blog de Seo e Webstandards, iceBreaker, Luz de Luma, yes party!, Vivo Verde, Cova do Urso, Grãos de Areia pelo Infinito, atblog, DE Consulting, Nota Zer0!,
TecnoCT, Leitura na Tela, Antes da HORA, Tecnologias digitais e Educação, Tecnologias, Educação e algo mais…, Virtual Z1, Uhu, galera!…, Blog do Carlos Fran, Blog do Locoselli, Blog de Renato Salles, Lua internauta, Mundo Desbravador, Fonte de Alegria, Lar da Veterinária, Origine Italiana, Arthur Araujo, Luana Giampietro, Blog do Zemarcos, blog EJM, Notícia e blog, Mídia Boom, [In]Commun Séries, Blogando com Vc!, Grupo NGJ, Voxtopia, pribi.com.br, Blog da Mari Rocha, Unidade Avançada, Blog Windows Brasil, Preparando a Redação, Usuário Nokia, Léo.Lopes – Portfólio, Blog do Netmind, Sylvester Stallone Brasil, Códigos Blog, Brasil Critical, Security Total, Ricardo Campos: Reflexione, Actividade, Açaí Grosso, Muleque Doido, Ernandes Rodrigues, cajuinas, Educação a Distância, WebGringos, Fruição e Escrita, Informática Desvendada, Midlife, Popzei!, Berdades da Boca P’ra Fora, My Percepções, Liso-Sapiens, Blogger Pessoal, Neurônio 2.0, Vondeep, The worst kind of thief, Thiago Antonio, Marcus Monteiro, Franquia Empresa, Blog Mídias Sociais, Abre Aspas, Chronus Blog, Sedentarismo Intelectual, PopNutri.











@cajuínas

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Cajuínas



Agora o livro Cajuínas pode ser baixado gratuitamente no blog. Coloquei dois links, um acima dos post e outro ao lado, ou pode clicar no nome com hyperlink aqui no parágrafo e ao final do post.

Segue o primeiro trecho do livro.



Cajuínas
(ISBN 388.593 livro 722 folha 253 janeiro de 2009 novo registro: numero: 445.489 Livro: 836 Folha:149)



A SAGA DE NECO VALÕES, HENRIQUE ANASTÁCIO E UM SACI CAJUÍNO PULANDO PELA HISTÓRIA DO BRASIL.


AS ANDANÇAS E VIDAS DE PERSONAGENS HISTÓRICOS E LENDÁRIOS QUE CONSTRUÍRAM A NAÇÃO BRASILEIRA.



“Existirmos, a que será que se destina?”
Caetano Veloso – trecho da música Cajuína.


Genésio... viveu até que morreu.

Neco Valões vinha fugindo, junto com mais três Pereiras, da milícia. Fez uma breve parada antes do anoitecer, contou um segredo à orelha de uma acajuíba, em seguida, ao invés de deitar acampamento, levantou poeira e seguiu em sua fuga. Noite adentro um saci completou sua gestação e dali, daquela mesma orelha, nasceu, saiu pulando a correr mundo, levando o segredo consigo.

Naqueles tempos Deus e todos Eles não desciam à Terra, logo, os demônios corriam a galope por todos os cantos, que contam eram quatro. Mares, estes eram sete. Havia muitas guerras, pestes e tantas outras coisas as quais sempre há.

Os anos se passaram e muitas coisas mudaram,
outras nem tanto.
Muitas lembranças viraram pó
junto com aqueles que as carregavam.
Muitos se foram. Outros chegaram,
poucos à Deus,
mais,
os capetas levaram.

Para baixar clique no nome: Cajuínas



@cajuínas

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Contradições da polícia do Rio


Se por um lado três policiais morrem heroicamente, de outro capitão e cabo da PM re-roubam (não sei como chamar isso) ladrões e deixam vítima morrendo na calçada( Evandro João da Silva, coordenador do Afroreggae, ONG que se dedica a tirar jovens da criminalidade).


A polícia do Rio vive hoje estas contradições, de um lado policiais extremamente dedicados, sérios e corajosos, de outro policiais corruptos, envolvidos em crimes, com milícias, tráfico, jogo ilegal, prostituição, extermínio, etc. e o que há de pior por aí que se possa imaginar.


Reflexo de nossa sociedade que cobra o fim da violência na cidade, enquanto há pessoas que compram drogas, pirataria, produtos roubados, convivem promiscuamente com criminosos (a idéia idiota de: "desde que não faça nada comigo, tá tudo bem").

Enquanto isso pessoas são vítimas, assaltadas, violentadas, assassinadas e policiais sérios arriscam suas vidas em vão.

É inadmissível que mais de cento e cinqüenta homens armados atravessem a cidade, informação já antecipada pela inteligência da polícia, com a facilidade como eles fizeram. Moradores da região denunciam que havia policiais militares envolvidos no tiroteio apoiando uma facção. Há informações anônimas que falam na cifra de até duzentos mil reais de propina paga para elementos policias para que a invasão pudesse ocorrer. Claro que tudo isto pode ser boato, e não tenho como comprovar os fatos.

Mas é um fato que há muitos policias envolvidos em criminalidade, lemos todos os dias no jornais. É preciso valorizar com urgência a profissão, melhorar as condições de trabalho, investir no treinamento e reciclagem dos profissionais, investir no apoio psicológico e investir muito nos mecanismos de investigação aos profissionais das polícias, pois ao lado da educação e das oportunidades, o estado tem que ter os mecanismos de repressão e punição. A sociedade precisa saber quanto custa em termos financeiros, políticos e humanos este processo e tomar sua decisão.

Enquanto isso, no complexo do Alemão, como denunciou a deputada Marina Maggessi, por motivos políticos, há dois anos a polícia não intervém contra a quadrilha de traficantes do local. Já se detectaram bunkers extremamente complexos construídos durante este período. Agora, quando os policiais sérios forem lá para prender criminosos e os retirarem do convívio das pessoas honestas que lá vivem, suas vidas correrão extremo perigo. E como fica isso?

entrevista da deputada Marina Maggessi.








@cajuínas

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Rio de Janeiro em luto




Gostaria de prestar minha homenagem aos policiais militares: soldados Marcos Stadler Macedo, Idiney Canizarro de Oliveira e ao cabo Izo Gomes Patrício, prestar solidariedade às famílias e orar pela plena recuperação do cabo Anderson dos Santos.

Servidores públicos que sacrificaram suas vidas numa operação de resgate a policiais feridos em uma área onde havia confronto entre grupos de traficantes rivais. Estima-se que uma das facções contava com pelo menos cento e cinqüenta homens armados.

Homenagem também aos pilotos Marcelo Vaz de Souza e Marcelo Mendes, que com desapego à própria segurança e com destreza, conseguiram evitar a tragédia de que o helicóptero atingido caísse por sobre casas ou alguma via.

Houve também três vítimas inocentes, jovens moradores, mortos pela facção invasora ao voltarem para casa após uma noite em que comemoravam a compra do carro por um deles: o mecânico Marcelo da Costa Ferreira Gomes, 26 anos, o auxiliar administrativo da Clínica São Victor Leonardo Fernandes Paulino, 27 anos, e o mecânico Francisco Ailton Vieira da Silva, 25 anos. Francisco Alailton Vieira da Silva, 22 anos está, até o momento desta nota em estado grave no hospital.

Mais seis policiais feridos, entre eles o Major Busnello, o sniper que conseguiu garantir a vida da refém no assalto em Vila Isabel no dia 25 de setembro de 2009.








@cajuínas

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Depois que o mar recua, vem a Tsunami.

Taí a onda gigante, a Google vai vender livros eletrônicos. Deu no Globo on line: Google vai vender livros eletrônicos.



Começa com 500 mil títulos. Começa...


Essa onda promete abalar não só a papelaria, mas quem insiste em apostar num modelo velho dentro da nova tecnologia. Me refiro aos leitores eletrônicos como o Kindle, que forçam exclusividade, com acesso jurássico aos conteúdos, e ainda oferecem de brinde problemas, como os que tiveram há pouco, precisando retirar títulos do acervo e tendo que restituir compradores. Claro, velhas formas de negócios neste mundo de plena ebulição tecnológica e de relações.




Não adianta, temos que aceitar as mudanças, ninguém estará livre da pirataria, mesmo com polícia federal, DCPIN, Abin, FBI e Maxuell Smart correndo atrás. Precisamos buscar formas de exercermos atividades comerciais, produtivas e artísticas levando em conta que as pessoas vão baixar de graça na internet, é isso.

Esta semana eu li sobre o esquema de proteção ao filme sobre o Lula (Lula, filho do Brasil- Fábio Barreto, 2009 - o qual tivemos o orgulho de ceder os estúdios para o casting), alguém realmente acredita que o filme não estará nos camelôs muito rápido? Pode ser até que não e a produção tenha sucesso em impedir, mas quanto custa isto?



A crise das editoras, da indústria cinematográfica, do teatro e etc., foi o recuo do mar. Agora, naturalmente, vem uma Tsunami. Nadar pra areia, ou nadar mar adentro, pra antes da arrebentação?







@cajuínas

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

SBGames 2009 - Convergência e " gamificação" da mídia.



A indústria de jogos digitais já fatura mais que do cinema, fato! Foram 48 bilhões de dólares em 2008, com projeções de 62 bilhões em 2012, levando em conta que o ano de 2009 é de profunda crise na europa e EUA, e os anos de 2010 e 2011, serão de recuperação gradual.



Para se ter uma idéia do que vem ocorrendo: o filme do Harry Potter (Harry Potter e o enigma do príncipe, o Harry teen) faturou 20 milhões de dólares na primeira semana, enquanto o jogo faturou 200 milhões. James Cameron, que havia dirigido o filme mais caro da história (Titanic), está dirigindo outro mais caro ainda, Avatar, a peculiaridade deste filme é que ele foi desenvolvido em conjunto com o jogo, com as equipes de cinema e de game desenhando o projeto em conjunto. Um é parte convergente do outro.



Trailer do jogo





Trailer do filme




No SBGames 2009, foi impressionante a quantidade de universitários, professores e profissionais do setor, pensando e discutindo academicamente e de maneira séria, esta nova forma que incorpora até mesmo arte, e porque não? Houve debates interessantes sobre as famosas regras dramatúrgicas (aristotélicas e posteriores), como, por exemplo, conflito de vontades, unidade de ação, de tempo, de espaço, objetivos de personagem, criação de personagem; e verificando as especificidades das regras na criação de um game.



Onde está a arte num jogo digital? Este processo remete lá atrás, às fogueiras, à beira das quais, os homens se reuniam para contar sobre as caçadas, contar histórias, lendas, mitos, e quem ouvia, imaginava, interagia e recriava em sua mente, ou por intereferência direta, os caminhos destas tramas. Quem de nós nuca viu um filme, ou ouviu uma história e gostaria de reconta-la a seu modo. Ou como os jogos de situações históricas, como o império romano, ou a segunda guerra mundial, onde podemos participar daqueles acontecimentos. Há toda uma equipe de programadores tentando realizar os sonhos dos games designers, e há toda uma equipe de artistas gráficos, modeladores 3D, músicos, animadores, pesquisadores, roteristas, atores (de onde vocês acham que vêm as vozes dos personagens?), produtores para nos prover a possibilidade de vivenciarmos histórias, onde podemos interagir e mudar completamente o encaminhar desta mesma. Onde nossa personalidade se aplica ao personagem(ns) e podemos até mesmo, em alguns jogos, mudar sua personalidade.


Há jogos onde se investe de 30 a 40 milhões de dólares para se produzir, valores que ainda são inviáveis no Brasil. Mas estavam presentes representantes do governo (ministério da cultura e BNDES), há uma visão de que uma indústria como essa, recente e que movimenta os valores que já consegue movimentar, é estratégica. Nesta época em que tantos querem que o Brasil seja a fazenda do mundo, viva de commodities (nós já vimos no passado onde esta novela vai dar, ciclo do pau-brasil da cana de açúcar, do ouro, da borracha...), investir nessa indústria e estar a frente dela, significa criar tecnologias, produzir conhecimento, as únicas maneiras de levar o Brasil a um patamar que tanto desejamos, tanto no cenário econômico mundial como no combate às desigualdades econômicas e sociais que vivemos.



Gamificação da mídia.


Glenn Entis deu a tônica do que a indústria de entertrenimento (onde se encontra a do cinema) vem pensando e se preparando. Estamos em meio a um processo de ruptura da indústria cinematográfica, isto significa, que o cinema vai continuar, assim como o teatro continua até hoje, mas não será mais a ponta de lança do setor.




Um jogo nada mais é que um processo lúdico/interativo, onde o jogador tem um objetivo, problemas para resolver, que se apresentam contra este objetivo e premiações, que o jogador vai adquirindo conforme vai cumprindo os objetivos.



Hoje há propostas lúdicas em várias atividades profissionais e de consumo. Os sites de consumo como e-bay, ou mercado livre, propõem jogos nos leilões e nas classificações dos usuários, que evoluem conforme o usuário mais se relacione com a compra e a venda. Há os adversgames, aqueles joguinhos nos sites como os da coca-cola, red bull, e etc., onde o navegante brinca com o produto. Há, também, os jogos propostos nos sites de relacionamento, como facebook, orkut, onde o jogador joga com sua rede de amigos. Jogos em que o jogador tem a impressão que está jogando de graça, mas há várias formas de micro-negociações, as quais geram milhões pra indústria.





Não podemos esquecer as famosas pontuações dos cartões de crédito, nada mais que um jogo de fidelidade. Neste exato momento, há milhares de pesquisadores estudando como fazer este jogo ser mais atraente e viciante. O jogo ideal é aquele que é fácil começar, fácil entende e jogar e viciante, ou seja, difícil de se parar.




As programações de tv, rádio, os filmes, enfim todo mundo tende a convergir para este processo interativo/lúdico. Quem acha que um game digital é coisa de nerd grudado ao seu console, lembre-se da famosa frase de Bill Gates: nunca despreze os nerds, você ainda vai trabalhar para um deles.




PS: o Call of Duty: modernwarfare 2 vem aí, imperdível.










@cajuínas

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Coleção Belas Cenas do Cinema

Hoje é a cena final de Cinema Paradiso. No início do filme, quando a igreja controlava o Cinema Paradiso, o padre censurava as cenas de beijo. Alfredo, o projecionista, guardou as cenas censuradas por toda a sua vida e as deixou de herança para Totó, agora Senhor Salvatore, um grande cineasta.


É emocionante, uma canção de amor ao cinema e à arte. Uma reflexão de como a arte pode resistir à censura e ao tempo. As cenas estão cheias de ranhuras, amareladas, o que dá um tom mais dramático.


São cenas de beijos, ousadias femininas e mais beijos de astros da história do cinema como: Rodolfo Valentino, Charles Chaplin, Clark Gable, James Stwart, Errol Flynn, Marcelo Mastroianni, Totó Rinna, Rita Haworth, Cary Grant, Olivia de Havilland, Greta Garbo, entre outros que não consegui identificar. Excelente música de Ennio Morriconne.









Procurei na internet uma lista com os filmes e/ou atores que aparecem, mas não consegui. Se alguém souber e quiser ajudar, vai ser muito legal. Quem acertar tudo ganha um prêmio bem bacana da Ópera Prima.


quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Tropas brasileiras cantam o hino nacional sob bombardeio

No dia 29 de outubro de 1944, as tropas brasileiras da FEB, cantavam o hino nacional durante uma transmissão ao vivo para a rádio BBC, quando houve duas ondas de ataque aéreo. As tropas, que estavam na catedral de Pisa, continuaram cantando até o fim, sem arredar pé. É emocionante ouvir o hino nacional ser cantado numa situação destas, com as bombas ao fundo (aumente o volume). Não busquemos racionalidades no ato, afinal, numa guerra, a primeira vítima não é a verdade, mas sim a razão. Se assim a houvesse, não haveria guerra.







Se fosse uma tropa americana com certeza já teriam sido feitos filmes sobre a bravura, ou imbecilidade do fato. Enfim, foram soldados brasileiros e devemos ter orgulhos dos brasileiros que foram lutar em terras estrangeiras numa guerra que não era nossa mas passou a ser, quando lutar contra o nazismo representou salvar o ser humano em sua humanidade.

Muitos dizem que os soldados brasileiros da FEB eram paus-de-araras. OK, isso não é depreciativo Eram brasileiros, seres humanos, e os soldados americanos, também eram os Rednecks... Os ingleses botaram os povos colonizados pra lutar, instigaram os russos e etc.

Há no Brasil um mau hábito de depreciar tudo o que nosso povo produz, ou que nossa história transcorreu. A história brasileira é muito bonita com erros e acertos, mas com certeza, é uma história de lutas, de resistência, vitórias assim como derrotas.

Percebo um certa vergonha no brasileiro em ser patriota. Mas porque ser patriota? Simplesmente porque é aqui que vivemos, onde vivem nossas famílias, nossos parentes e amigos. É esse país que nossos filhos herdarão. Ser patriota não significa, evidentemente, colocar os chamados "interesses nacionais" acima das liberdades individuais e civis de nosso próprio povo ou de povos estrangeiros. Afinal, nosso verdadeiro interesse nacional é a garantia das liberdades individuais e civis do nosso povo e outros, assim como sua paz, sua cultura, seu bem-estar e a busca radical pela felicidade humana.

Estamos muito longe de sermos um país sequer perto disso, mas não alcançaremos estes objetivos negando nossa história, cultura e país. É preciso ter orgulho, se nosso país já produziu estados opressores e tirânicos, escravocratas e assassinos, por outro lado, produzimos heróis de resistência, grandes pensadores, artistas, mestres. Mas para ser patriota, e ter orgulho desse país, é preciso conhecer sua história, sua literatura, sua geografia, seu povo, sua cultura É preciso um mínimo de esforço, já que hoje em dia percebo nos jovens a profunda ignorância de fatos recentes da história brasileira e de seus personagens.

Taí meu lado patriótico piegas.

Ah... sim, nosso hino é um dos mais lindos do mundo, assim como o hino da bandeira, da independência, da marinha, do expedicionário, do soldado e o do Flamengo.

Ok, o do América, do Vasco, do Fluminense, do Coríntias, do Rio de Janeiro... a música brasileira é dez.



@cajuínas

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Programa nacional do PPS

Mais um programa do PPS, o qual tive o prazer de dirigir. Este promete revolucionar a forma de apresentar programas políticos ao público, já um tanto cansado da fórmula clips musicais e gente sorrindo. Todo ambientado num formato visual web, o programa convergiu com o site do partido, apontou para um chat, onde logo após a exibição do programa, as pessoas puderam teclar com lideranças partidárias.


O visual web permitiu certas ousadias, como legendar as falas em formato chat, twitter, incidências sonoras específicas, apresentação das lideranças e deputados do partido num estilo youtube.


A dinâmica do corte e da edição também seguiram a lógica web, dando ritmo. Muitas pessoas que costumam sair da frente da televisão se sentiram atraídas.




@cajuínas

domingo, 20 de setembro de 2009

Coleção Belas Cenas do Cinema - Noite Americana

Noite Americana (François Truffautt), referência cinematográfica. Se passa durante as filmagens de um filme. Exibe todas as dificuldades e a beleza de se realizar filmes.
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Esta é a cena inicial do filme, um plano sequência numa cidade cinematográfica, com dezenas de figurantes. Todas as possibilidades de câmera são apresentadas (plongé, contra-plongé, travelling, pan, zoom, fixa, grua, câmera jornalística, etc.). Fotografia quente, sugere amanhecer ou entardecer, e um presente, o próprio Truffaut faz o personagem do diretor. Apresenta-se a câmera Panavision, luzes, a grua, os cenários, as assistentes, produtores, continuísta e etc.
Na primeira sequência, acompanhamos a cena do ponto de vista da câmera do suposto filme. Em seguida podemos observar a cena se desenrolando sob o ponto de vista de quem observa as filmagens, agora com trilha sonora e vemos a grua sendo operada, os cenários, trilhos de travellings, etc., uma delícia.
By the way... noite americana é um recurso de se filmar de dia, mas através do fechamento da íris e utilização de lentes próprias, se obter a impressão que é noite.



@cajuínas

domingo, 13 de setembro de 2009

Coleção Belas Cenas do Cinema

Hoje eu começo um projeto antigo, colecionar cenas inesquecíveis do cinema. A cena de hoje é a cena 10 do inesquecível filme Cinema Paradiso (Giuseppe Tornatore). Uma declaração de amor ao cinema.
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Nesta cena, o velho Cinema Paradiso está lotado e tem gente querendo entrar. A velha sala de cinema já não consegue mais dar conta, assim como o velho cinema, o velho projetista, é o velho mundo e a velha Itália se acabando... Linda cena em que a projeção caminha pela sala e ganha a praça.
Bela fotografia e belíssima trilha de Enio Morricone.



@cajuínas

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Produtora Ópera Prima oferece a Óficina de 2009

A produtora Ópera Prima, empresa de soluções com longa experiência no mercado audiovisual, oferece anualmente a Óficina. A oficina, com a duração de três meses, tem como objetivo ensinar, promover debates e profissionalizar os alunos com aulas teóricas e práticas. A Óficina conta com seis módulos distintos: Roteiro, Direção, Produção, Interpretação, Edição e Trilha para Cinema e TV, dados por profissionais renomados. Durante o curso, os alunos escrevem suas experiências com o aprendizado no blog http://oficinaopera.blogspot.com. Ao fim do curso, serão produzidos o curta-metragem e a peça teatral sobre o livro Cajuínas, do diretor e escritor Paulo Siqueira, na mesma época do lançamento do livro.

Para a Ópera Prima, a Óficina enquadra-se perfeitamente na filosofia da empresa que nos últimos anos vem se dedicando a solucionar e atender às necessidades do mercado, no geral. Segundo o diretor e criador do projeto, Paulo Siqueira, a produtora tem identificado um abismo no mercado de iniciantes no que diz respeito à prática. "Há vários atores sendo formados nas escolas de interpretação do país, assim como vários diretores e produtores das escolas de cinema, mas esses jovens ainda não conseguem interagir e produzir profissionalmente. Os atores acabam procurando as emissoras, ou indo de teste em teste. Os jovens cineastas acabam trabalhando como assistentes no mercado de produtoras e produzindo de vez em quando um curta, na expectativa de festivais", afirma o diretor.

A Óficina acontece todas as segundas e quartas, das 18h às 20h e o término está previsto para o final de novembro. Restam poucas vagas para a Óficina de 2009, porém outras turmas estão previstas ainda para este ano e para 2010.

domingo, 6 de setembro de 2009

Os Normais 2


Os Normais 2 (José Alvarenga Jr.), comédia no estilo televisivo, é muito mais uma sucessão de piadas do que um roteiro com uma trama (no estilo aristotélico do termo, início, meio e fim, onde se dá a peripécia e o reconhecimento dos personagens). Nada contra, afinal é o objetivo. Nem muito a comentar sobre o filme, por ser episódico (os fatos não se encadeiam levando um ao outro, mas se sucedem em cronologia simples), em alguns momentos é engraçado em outros se força a barra.


Para reflexão: a cena em que o casal normal chega à festa onde eles têm que achar uma bi, neste momento, o roteiro trabalha com uma técnica interessante: o espectador detém toda a informação do que está se dando na festa, enquanto os personagens têm uma informação parcial, distorcida e imprecisa. O tom cômico se dá aí, nesse desencontro entre o que realmente está ocorrendo e o que os personagens pensam estar ocorrendo. O espectador fica na aflição em ver o quanto de mico esse desencontro vai prover.


No mais, nada demais. Talvez possamos pensar na forma do roteiro, onde os personagens principais querem algo, mas seu destino teima em negar, o que dá ao espectador aflição, e garante o interesse até o fim, consigam ou não. O entendimento do casal de qual é o verdadeiro valor de uma relação se dá por uma mera necessidade de fechar a ponta do roteiro, e não há realmente, através das várias etapas do filme, a transformação, o aprendizado para o final feliz que uma comédia romântica precisa.


Vale pela diversão. Quem quiser comparar o trabalho do Tuca Morais na fotografia, assista a Tempos de Paz, onde sua performance é muito mais exigida e neste Os Normais 2, onde não há em verdade sombras, apenas iluminação. Fotografia digital (me incomoda o uso do lower shutter - a baixa velocidade da cabeça da câmera, cria um rastro).


Sonorização: faltou um investimento maior, no Brasil se investe pouco neste setor fundamental para o entendimento e apreciação de um obra audio-visual, calcula-se que mais de 76% da percepção de uma cena se dá pelo som, portanto o investimento na fase de pós-produção deveria levar este dado em conta. As vozes dos personagens mereciam uma espacialização maior, assim como toda a malha sonora.


Este tipo de filme, capaz de arrastar multidões ao cinema é fundamental para se estabelecer uma indústria cinematográfica no país que seja independente de leis de incentivo ou governos. Muitos empregos e muitas gargalhadas.


P.S. Danielle Suzuki de calcinha e sutiã sempre vale a pena.