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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Coleção Belas Cenas do Cinema - A Um Passo da Eternidade (From Here to Eternity - 1953)



A lendária cena do beijo na praia entre Sgt. Warden (Burt Lancaster) e Karen (Deborah Kerr). Talvez o frame mais conhecido da história do cinema. Um grande filme com um grande elenco (participam Montogomery Clift, Frank Sinatra, Ernest Borgnine).


O filme conta a história de um quartel no Havaí, um pouco antes do ataque japonês a Pearl Harbor. O filme consegue, mesmo ainda no período macartista e portanto, conservador estadunidense, tratar daqueles homens, heróis do país, no olho do furacão da guerra fria, ainda envolvido na guerra da Coréia, dando-lhes dimensões humanas bem complexas. O filme trata de despotismo, alcoolismo, insubordinação, liberdade, o quanto esta custa, de firmeza de caráter, amizade, infidelidade conjugal, vício, como a hierarquia militar permite que superiores persigam e até mesmo matem seus subordinados, trata das injustiças do sistema militar, da impossibilidade de vencê-lo e até mesmo contrapõe a fragilidade física dos perseguidos perante seus opressores.



Ganhou 8 estatuetas no Oscar de 1954 (teve 13 indicações), entre elas ganhou: melhor filme, melhor direção,  melhor roteiro, melhores atores e atrizes coadjuvantes. 

Filmaço!

leia também Alt Film Guide

@cajuínas
Paulo Siqueira
www.cajuinas.blogspot.com


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

La Tregua, Francesco Rosi, 1997


La Tregua
(Francesco Rosi, 1997)

Bela Cena que retrata o retorno do Exército Vermelho, vitorioso pra casa após a segunda guerra mundial. O filme é inspirado no livro homônimo de Primo Levi. Primo Levi compara o espetáculo a uma parada circense. 

A cena em questão é citada no livro Moscou 1941, de Rodric Braithwithe. Interessante livro sobre a cidade de Moscou antes e durante o ataque alemão de 1941, que redundou numa batalha de cinco meses, cheia de heroísmos, tragédias e choque de massas, tanto humanas quanto industriais, culturais, ideológicas e patrióticas.

O autor faz uma interessante abordagem, buscando o lado humano e individual, dentro do tufão que era um conflito de massa como aquele, único na história. Deve-se filtrar sua ideologia extremamente contrária ao regime soviético. Tudo bem, ninguém quer defender o stalinismo, porém, fica a impressão de que o diabo é pintado mais feio do que era. Veja bem, era um diabo e estava pintado, mas... 

Por outro lado, lendo-se o livro, quem não conseguir filtrar a ideologia forte do autor, não consegue entender como o soviético lutou com tanta garra e bravura, entregando à pátria e ao seu povo tudo,  sua segurança física e mental e até mesmo sua vida. Somos levados a crer que tudo se decidiu por quem errava mais, Hitler ou Stalin e obviamente um conflito como a segunda guerra mundial, nunca se poderia decidir em cima das decisões, certas ou erradas, de dois homens, por mais poderosos que fossem. Não é assim que caminha a história.



Acredito que da mesma maneira que os historiadores durante o stalinismo foram tomados pela violenta ideologia ao se debruçar sobre o tema, com o fim do regime a onda revisionista, também tomada de paixão, busca destruir demais os símbolos e memórias soviéticos. Apesar de todos os horrores e erros, aquelas pessoas, o cidadão soviético comum, realmente acreditava estar construindo um futuro socialista e seu símbolo, hoje em dia tão desgastado, era a união dos trabalhadores da cidade e do campo, numa era em que as condições de vida do trabalhador eram as piores possíveis e o capitalismo ainda estava em uma fase muito mais voraz que a atual.



Muita água rolou, muita gente morreu, foi perseguida, massacrada torturada, teve sua família destruída para que as gerações atuais possam discutir democracia nos termos em que são discutidos, e até mesmo utilizar redes sociais para se mobilizar e destituir ditadores com todo apoio mundial.

Vale a leitura e vale ver o filme, com espetacular direção de Francesco Rosi e atuação de John Turturro. A cena é empolgante e o filme consegue transmitir a emoção daquelas pessoas e seu sentimento de gratidão ao exército libertador, como assim era visto o Exército Vermelho ao fim da guerra.

@cajuínas
Paulo Siqueira
www.cajuinas.blogspot.com

sábado, 17 de julho de 2010

Coleção Belas Cenas do Cinema - Os Intocáveis (The Untouchables - 1987)



Esta é a espetacular cena do tiroteio na escadaria da estação de trem. Há uma referência do mestre De Palma ao mestre Sergei Eisentstein (O Couraçado Potenkim). 

Há um take com zoom de lente (sim, eu sei, também tenho mil restrições) para revelar que  o agente Stone (Andy Garcia) o último sobrevivente da equipe de intocáveis de Elliot Ness (Kevin Kostner). E pouco depois uma aproximação de câmera em Ness. É interessante estudarmos a diferença entre as duas técnicas de plano.



Da vida nada se leva ao menos as lembranças.

@cajuínas
Paulo Siqueira


quarta-feira, 2 de junho de 2010

Coleção Belas Cenas do Cinema - The Longest Day (1962)


Achei a cena dublada em francês, mas vale a pena assistir ao plano aéreo do ataque inglês às posições alemãs. Pra quem gosta de armas da segunda guerra, há várias. Podemos ver as armas inglesas e as alemãs: a sten, a mg42, a bren, o kark, o tanque sherman, os flaks e etc.



The Longest day (1962), um grande filme com grande elenco, grande direção (são quatro diretores, um pra cada país envolvido) e grandes cenas.

@cajuínas
Paulo Siqueira

terça-feira, 1 de junho de 2010

Coleção Belas Cenas do Cinema - Crossroads (Walter Hill-1986)






Crossroads (1986)


Cena final, onde o próprio dito cujo promove um duelo de guitarras (Steve Vai vs Ry Cooder). Interessante filme sobre o blues e as lendas dos guitarristas que venderam a alma ao demo em troca do domínio completo da guitarra e da alma do Blues .

@cajuínas
Paulo Siqueira

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Inno Sorsy - The Hunter - african' tales - contos africanos - oral tradition- tradição oral



Narração de Inno Sorsy de um conto originário do Benin. Foi colhido para o filme "Histórias". Não entrou no  corte final e está nos extras do DVD.

É interessante a visão de uma cultura não greco-romana sobre a personalidade de um personagem. A relação bem X mal ganha outra conotação.


A performance de Inno também é espetacular. Hoje em dia ela vive na Inglaterra, mas é oriunda de uma região de Camarões, ou Cameroon. Educada na tradição oral, é fiel defensora de sua cultura. Suas tias, sua mãe, sua avó, enfim sua família é constituída de narradores, pessoas que registram as histórias de sua região e seu povo e mantém viva sua origem contando-as. São quase Griots, mas não sei se podemos aplicar o termo neste caso corretamente.

Espero que gostem.





@cajuínas

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Tradição oral e contar histórias





Em 2006 realizei como diretor o filme "Histórias"
, que trata da necessidade de contar histórias em todas as culturas humanas ao redor do mundo. O filme aborda desde a pré-oralidade, quando o homem se expressava através de danças e desenhos, na oralidade, o homem desenvolve a fala e se expressa por ela, criando, contando e armazenando sua história, atravessa a escrita, quando a documentação escrita passa a ser o registro da cultura e da história humana e desemboca na era multimídia, onde temos o rádio, o cinema, a televisão e atualmente a internet como meios de expressão humana e registro histórico.

Quando o filme foi feito, o conceito de conectividade ainda não estava tão desenvolvido como hoje, com os smartphones e etc., que nos mantém sempre conectados à rede, e nos possibilitam sermos realmente o centro do universo, ou seja, obtemos informações seletivamente, de acordo com o nosso interesse, e produzimos informações pra rede (mundo), por e-mails, blogs, twitter, youtubes e etc.

O filme teve os DVDs esgotados e muitas pessoas ainda procuram, portanto coloquei em nosso canal no youtube, a TV Caju, a primeira parte, onde o filme trata da tradição oral.




Quando um guardião de contos, lendas, histórias ou mistérios morre, é uma biblioteca que se queima aqui na terra. Não há como registrarmos todo acervo de sabedoria que possui. O registro para o texto escrito da cultura oral é insuficiente, pois muito se perde, é impossível, na literatura, registrarmos o tom, as pausas, inflexões e etc. Além do que, a narração oral, prevê a presença simultânea do interlocutor e do espectador. O narrador usará recursos como a percepção da reação do espectador, para ditar seu ritmo, grifar certos momentos, passar batido por outros. Tão pouco o registro fonográfico ou cinematográfico vai conseguir captar o saber oral totalmente, pois se perderá o recurso presencial simultâneo. Na tradição oral a passagem pelas gerações do conhecimento se faz sempre boca a ouvido, ocorrendo aí todas as transformações inerentes ao processo. A maior força da tradição oral é sua maior fraqueza.


A tradição oral traz uma ludicidade que aos poucos nós estamos tentando oprimir em nossa sociedade. Quando na roça antigamente, ao ver um redemoinho, se benzia o vaqueiro por acreditar ser um saci, hoje temos explicações físicas para o fenômeno. Pior, antigamente quem ouvia vozes, passava por um ritual de limpeza espiritual, expulsava os maus espíritos e saía curado pela catarse, hoje tem transtorno bipolar, ou esquizofrenia, toma tarja preta, faz terapia a vida toda e não se resolve.


A necessidade de contar histórias persiste no ser humano, que hoje busca no cinema, na televisão, fontes de histórias e imaginação. Isto persiste, por nossa necessidade humana de trabalharmos os arquétipos em nossa psique. Quando contamos pruma criança sobre a princesa e a bruxa, estamos passando mais que valores morais e éticos, estamos trabalhando na criança os arquétipos que vão persegui-la por toda a vida. Ela precisa da bruxa pra projetar seu ego e seus lados negativos, quando contamos pra uma criança de três anos que bruxa não existe, pronto! Não há onde projetar o lado negativo de sua personalidade, começa um processo neorotizante, depois de adulta, vinte anos de terapia, etc.

Calma! Quando ela crescer ela vai saber que lobo mau não existe, é fundamental que contemos histórias uns aos outros, para que nossa capacidade de imaginar, de criar, seja sempre estimulada. Mas nem tudo está perdido, se hoje em dia não se acredita mais em saci, o E.T. de Varginha é real. Se não se conta mais as histórias da onça e do macaco, procuramos todos os dias no jornais as histórias urbanas. Os moradores do Rio de Janeiro contam as histórias da guerra do tráfico, do BOPE, da CORE e etc. A realidade mudou, a forma de se expressar necessariamente se adapta.

Taí o mito! Ele é invencível, graças a Deus!






Através da conectividade podemos nos comunicar com pessoas e saberes de qualquer parte do mundo, por outro lado, estamos nos isolando cada vez mais de nossas famílias, nossos amigos, nossa comunidade e nosso convívio social. Numa casa de classe média há uma televisão em cada quarto, um computador pra cada um, as pessoas passam cada vez menos tempo em família. Acontecem distorções, como nas operações policiais em que pais se surpreendem de que seus filhos estão ligados a quadrilhas e etc.

Tudo o que surge (cinema, internet, livro...) vem pra somar. Não precisamos abandonar o livro por causa do cinema, nem o cinema por causa da internet. São meios os quais temos à mão para elaborarmos nosso mundo interior e nossa relação com o mundo externo.



@cajuínas