quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Tropas brasileiras cantam o hino nacional sob bombardeio

No dia 29 de outubro de 1944, as tropas brasileiras da FEB, cantavam o hino nacional durante uma transmissão ao vivo para a rádio BBC, quando houve duas ondas de ataque aéreo. As tropas, que estavam na catedral de Pisa, continuaram cantando até o fim, sem arredar pé. É emocionante ouvir o hino nacional ser cantado numa situação destas, com as bombas ao fundo (aumente o volume). Não busquemos racionalidades no ato, afinal, numa guerra, a primeira vítima não é a verdade, mas sim a razão. Se assim a houvesse, não haveria guerra.







Se fosse uma tropa americana com certeza já teriam sido feitos filmes sobre a bravura, ou imbecilidade do fato. Enfim, foram soldados brasileiros e devemos ter orgulhos dos brasileiros que foram lutar em terras estrangeiras numa guerra que não era nossa mas passou a ser, quando lutar contra o nazismo representou salvar o ser humano em sua humanidade.

Muitos dizem que os soldados brasileiros da FEB eram paus-de-araras. OK, isso não é depreciativo Eram brasileiros, seres humanos, e os soldados americanos, também eram os Rednecks... Os ingleses botaram os povos colonizados pra lutar, instigaram os russos e etc.

Há no Brasil um mau hábito de depreciar tudo o que nosso povo produz, ou que nossa história transcorreu. A história brasileira é muito bonita com erros e acertos, mas com certeza, é uma história de lutas, de resistência, vitórias assim como derrotas.

Percebo um certa vergonha no brasileiro em ser patriota. Mas porque ser patriota? Simplesmente porque é aqui que vivemos, onde vivem nossas famílias, nossos parentes e amigos. É esse país que nossos filhos herdarão. Ser patriota não significa, evidentemente, colocar os chamados "interesses nacionais" acima das liberdades individuais e civis de nosso próprio povo ou de povos estrangeiros. Afinal, nosso verdadeiro interesse nacional é a garantia das liberdades individuais e civis do nosso povo e outros, assim como sua paz, sua cultura, seu bem-estar e a busca radical pela felicidade humana.

Estamos muito longe de sermos um país sequer perto disso, mas não alcançaremos estes objetivos negando nossa história, cultura e país. É preciso ter orgulho, se nosso país já produziu estados opressores e tirânicos, escravocratas e assassinos, por outro lado, produzimos heróis de resistência, grandes pensadores, artistas, mestres. Mas para ser patriota, e ter orgulho desse país, é preciso conhecer sua história, sua literatura, sua geografia, seu povo, sua cultura É preciso um mínimo de esforço, já que hoje em dia percebo nos jovens a profunda ignorância de fatos recentes da história brasileira e de seus personagens.

Taí meu lado patriótico piegas.

Ah... sim, nosso hino é um dos mais lindos do mundo, assim como o hino da bandeira, da independência, da marinha, do expedicionário, do soldado e o do Flamengo.

Ok, o do América, do Vasco, do Fluminense, do Coríntias, do Rio de Janeiro... a música brasileira é dez.



@cajuínas

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Programa nacional do PPS

Mais um programa do PPS, o qual tive o prazer de dirigir. Este promete revolucionar a forma de apresentar programas políticos ao público, já um tanto cansado da fórmula clips musicais e gente sorrindo. Todo ambientado num formato visual web, o programa convergiu com o site do partido, apontou para um chat, onde logo após a exibição do programa, as pessoas puderam teclar com lideranças partidárias.


O visual web permitiu certas ousadias, como legendar as falas em formato chat, twitter, incidências sonoras específicas, apresentação das lideranças e deputados do partido num estilo youtube.


A dinâmica do corte e da edição também seguiram a lógica web, dando ritmo. Muitas pessoas que costumam sair da frente da televisão se sentiram atraídas.




@cajuínas

domingo, 20 de setembro de 2009

Coleção Belas Cenas do Cinema - Noite Americana

Noite Americana (François Truffautt), referência cinematográfica. Se passa durante as filmagens de um filme. Exibe todas as dificuldades e a beleza de se realizar filmes.
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Esta é a cena inicial do filme, um plano sequência numa cidade cinematográfica, com dezenas de figurantes. Todas as possibilidades de câmera são apresentadas (plongé, contra-plongé, travelling, pan, zoom, fixa, grua, câmera jornalística, etc.). Fotografia quente, sugere amanhecer ou entardecer, e um presente, o próprio Truffaut faz o personagem do diretor. Apresenta-se a câmera Panavision, luzes, a grua, os cenários, as assistentes, produtores, continuísta e etc.
Na primeira sequência, acompanhamos a cena do ponto de vista da câmera do suposto filme. Em seguida podemos observar a cena se desenrolando sob o ponto de vista de quem observa as filmagens, agora com trilha sonora e vemos a grua sendo operada, os cenários, trilhos de travellings, etc., uma delícia.
By the way... noite americana é um recurso de se filmar de dia, mas através do fechamento da íris e utilização de lentes próprias, se obter a impressão que é noite.



@cajuínas

domingo, 13 de setembro de 2009

Coleção Belas Cenas do Cinema

Hoje eu começo um projeto antigo, colecionar cenas inesquecíveis do cinema. A cena de hoje é a cena 10 do inesquecível filme Cinema Paradiso (Giuseppe Tornatore). Uma declaração de amor ao cinema.
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Nesta cena, o velho Cinema Paradiso está lotado e tem gente querendo entrar. A velha sala de cinema já não consegue mais dar conta, assim como o velho cinema, o velho projetista, é o velho mundo e a velha Itália se acabando... Linda cena em que a projeção caminha pela sala e ganha a praça.
Bela fotografia e belíssima trilha de Enio Morricone.



@cajuínas

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Produtora Ópera Prima oferece a Óficina de 2009

A produtora Ópera Prima, empresa de soluções com longa experiência no mercado audiovisual, oferece anualmente a Óficina. A oficina, com a duração de três meses, tem como objetivo ensinar, promover debates e profissionalizar os alunos com aulas teóricas e práticas. A Óficina conta com seis módulos distintos: Roteiro, Direção, Produção, Interpretação, Edição e Trilha para Cinema e TV, dados por profissionais renomados. Durante o curso, os alunos escrevem suas experiências com o aprendizado no blog http://oficinaopera.blogspot.com. Ao fim do curso, serão produzidos o curta-metragem e a peça teatral sobre o livro Cajuínas, do diretor e escritor Paulo Siqueira, na mesma época do lançamento do livro.

Para a Ópera Prima, a Óficina enquadra-se perfeitamente na filosofia da empresa que nos últimos anos vem se dedicando a solucionar e atender às necessidades do mercado, no geral. Segundo o diretor e criador do projeto, Paulo Siqueira, a produtora tem identificado um abismo no mercado de iniciantes no que diz respeito à prática. "Há vários atores sendo formados nas escolas de interpretação do país, assim como vários diretores e produtores das escolas de cinema, mas esses jovens ainda não conseguem interagir e produzir profissionalmente. Os atores acabam procurando as emissoras, ou indo de teste em teste. Os jovens cineastas acabam trabalhando como assistentes no mercado de produtoras e produzindo de vez em quando um curta, na expectativa de festivais", afirma o diretor.

A Óficina acontece todas as segundas e quartas, das 18h às 20h e o término está previsto para o final de novembro. Restam poucas vagas para a Óficina de 2009, porém outras turmas estão previstas ainda para este ano e para 2010.

domingo, 6 de setembro de 2009

Os Normais 2


Os Normais 2 (José Alvarenga Jr.), comédia no estilo televisivo, é muito mais uma sucessão de piadas do que um roteiro com uma trama (no estilo aristotélico do termo, início, meio e fim, onde se dá a peripécia e o reconhecimento dos personagens). Nada contra, afinal é o objetivo. Nem muito a comentar sobre o filme, por ser episódico (os fatos não se encadeiam levando um ao outro, mas se sucedem em cronologia simples), em alguns momentos é engraçado em outros se força a barra.


Para reflexão: a cena em que o casal normal chega à festa onde eles têm que achar uma bi, neste momento, o roteiro trabalha com uma técnica interessante: o espectador detém toda a informação do que está se dando na festa, enquanto os personagens têm uma informação parcial, distorcida e imprecisa. O tom cômico se dá aí, nesse desencontro entre o que realmente está ocorrendo e o que os personagens pensam estar ocorrendo. O espectador fica na aflição em ver o quanto de mico esse desencontro vai prover.


No mais, nada demais. Talvez possamos pensar na forma do roteiro, onde os personagens principais querem algo, mas seu destino teima em negar, o que dá ao espectador aflição, e garante o interesse até o fim, consigam ou não. O entendimento do casal de qual é o verdadeiro valor de uma relação se dá por uma mera necessidade de fechar a ponta do roteiro, e não há realmente, através das várias etapas do filme, a transformação, o aprendizado para o final feliz que uma comédia romântica precisa.


Vale pela diversão. Quem quiser comparar o trabalho do Tuca Morais na fotografia, assista a Tempos de Paz, onde sua performance é muito mais exigida e neste Os Normais 2, onde não há em verdade sombras, apenas iluminação. Fotografia digital (me incomoda o uso do lower shutter - a baixa velocidade da cabeça da câmera, cria um rastro).


Sonorização: faltou um investimento maior, no Brasil se investe pouco neste setor fundamental para o entendimento e apreciação de um obra audio-visual, calcula-se que mais de 76% da percepção de uma cena se dá pelo som, portanto o investimento na fase de pós-produção deveria levar este dado em conta. As vozes dos personagens mereciam uma espacialização maior, assim como toda a malha sonora.


Este tipo de filme, capaz de arrastar multidões ao cinema é fundamental para se estabelecer uma indústria cinematográfica no país que seja independente de leis de incentivo ou governos. Muitos empregos e muitas gargalhadas.


P.S. Danielle Suzuki de calcinha e sutiã sempre vale a pena.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Nossa Ilha de Edição, autor Miguel Sento Sé

Ilha de edição que chamamos de Ilha da Caveira.O Autor da foto Miguel Sento Sé (vulgo Chico Bento). Trabalha conosco na fotografia de video e still. Aluno da Óficina de cinema da Ópera Prima, já começa a dar seus vôos solos. Dirigiu o filme Jogatina.



quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Amantes, Joaquin Phoenix, um grande ator num grande personagem.


Amantes (James Gray) é um filme sobre um personagem bipolar (Joaquin Phoenix). Leonard transita entre o homem que se atira de cabeça em uma paixão, ao homem que é prático e se adapta à realidade. Esses dois pólos são representados por sua namorada Sandra (Vinessa Shaw) e por sua paixão platônica, Michelle (Gwineth Paltrow).

Há vários aspectos do filme que podem e valem ser discutidos, a fotografia(em certos momentos dura, silhuetada, com sombras nos olhos do atores, e em outros com compensações artificiais), planos fechados e movimentos de câmera. O trabalho da equipe de edição de som que é espetacular (pode-se comparar, por exemplo, a mixagem das falas de Leonard e Michelle no terraço e na belíssima cena em que falam por telefone enquanto se olham pela janela. Na primeira, as falas estão com ecos e na segunda, são sussurradas e comprimidas, sem reverberação. - aliás, a atuação de Joaquin nesta cena é especial). A edição de imagem que se alterna em antecipações e atrasos em relação à sonorização e aos momentos dramáticos do filme. A direção de arte que é belíssima e claro a direção que conduziu magistralmente o elenco e todo o resto, contando a história não somente pelo desenrolar do roteiro, mas pela composição do personagem de Leonard, pelas opções de fotografia, música, sonorização, arte edição e etc.

Mas vou me ater a três cenas em sequência que ilustram bem o quanto a direção foi feliz: Na casa de Leonard (fotografia em tom quente), ele escuta um cd de Ópera (tem que ver o filme para entender o contexto), ele recebe Sandra e os dois transam, ela vai embora sem que ele a leve à porta, e o cd ainda não acabou. Ou seja, percebemos, através da edição de som, que a transa foi rápida.


Através da fotografia, percebemos o amanhecer no rosto de Leonard que dorme e vamos para a cena seguinte. Leonard e Michelle têm sua primeira cena no terraço do prédio, onde ele se revela para ela, que o rejeita e assim os dois têm que se afastar. A fotografia é fria, o céu cinzento, as falas têm eco. A mis en scene se dá pelas frestas das paredes de uma pequena capela no terraço, por vezes vemos os personagens, por vezes se perdem atrás das paredes, planos médios e poucos cortes (belíssimo) O som da porta puxa o corte pra cena seguinte, onde no quarto de Leonard, em meio à bagunça, há o plano na sua máquina fotográfica.

Corta para uma sequência de fotografias em preto e branco, fotos artísticas de Leonard (que antes só fotografava paisagens), de sua namorada, sua mãe e do bar mitzvah do irmão de sua namorada. Daí se corta para o próprio bar mitzvah, ou seja, fomos à frente no tempo, com as fotografias, e agora voltamos, para o bar mitzvah, já que as fotos reveladas do mesmo, indicam um tempo posterior. Agora, durante o Bar Mitzvah, vemos Leonard fotografando (as fotos que resultarão naquelas que vimos agora há pouco),a fotografia é quente. Planos gerais, muita gente, muitos cortes de cena. Muita alegria em contraste com a cena do terraço de tristeza e angústia.


Faltou sujar um pouco mais a Michelle/Gwyneth, o máximo que se vê é um borrão no rímel quando ela chora. Mas na cena que sai do hospital, está maquiada, corada, cabelo penteado, por favor, né? Ela acabou de abortar após sangrar sozinha em casa, deveria estar magra, com olheiras, mal-hálito (se representaria pela desconstrução da estética da personagem), mas talvez os agentes da atriz não tenham permitido...



A composicão do Joaquin está ótima, com sua timidez, sua cabeça meio pendente, seu olhar... Elias Koteas é outra referência, está ótimo...





@cajuínas