domingo, 31 de maio de 2009

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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Tradição oral e contar histórias





Em 2006 realizei como diretor o filme "Histórias"
, que trata da necessidade de contar histórias em todas as culturas humanas ao redor do mundo. O filme aborda desde a pré-oralidade, quando o homem se expressava através de danças e desenhos, na oralidade, o homem desenvolve a fala e se expressa por ela, criando, contando e armazenando sua história, atravessa a escrita, quando a documentação escrita passa a ser o registro da cultura e da história humana e desemboca na era multimídia, onde temos o rádio, o cinema, a televisão e atualmente a internet como meios de expressão humana e registro histórico.

Quando o filme foi feito, o conceito de conectividade ainda não estava tão desenvolvido como hoje, com os smartphones e etc., que nos mantém sempre conectados à rede, e nos possibilitam sermos realmente o centro do universo, ou seja, obtemos informações seletivamente, de acordo com o nosso interesse, e produzimos informações pra rede (mundo), por e-mails, blogs, twitter, youtubes e etc.

O filme teve os DVDs esgotados e muitas pessoas ainda procuram, portanto coloquei em nosso canal no youtube, a TV Caju, a primeira parte, onde o filme trata da tradição oral.




Quando um guardião de contos, lendas, histórias ou mistérios morre, é uma biblioteca que se queima aqui na terra. Não há como registrarmos todo acervo de sabedoria que possui. O registro para o texto escrito da cultura oral é insuficiente, pois muito se perde, é impossível, na literatura, registrarmos o tom, as pausas, inflexões e etc. Além do que, a narração oral, prevê a presença simultânea do interlocutor e do espectador. O narrador usará recursos como a percepção da reação do espectador, para ditar seu ritmo, grifar certos momentos, passar batido por outros. Tão pouco o registro fonográfico ou cinematográfico vai conseguir captar o saber oral totalmente, pois se perderá o recurso presencial simultâneo. Na tradição oral a passagem pelas gerações do conhecimento se faz sempre boca a ouvido, ocorrendo aí todas as transformações inerentes ao processo. A maior força da tradição oral é sua maior fraqueza.


A tradição oral traz uma ludicidade que aos poucos nós estamos tentando oprimir em nossa sociedade. Quando na roça antigamente, ao ver um redemoinho, se benzia o vaqueiro por acreditar ser um saci, hoje temos explicações físicas para o fenômeno. Pior, antigamente quem ouvia vozes, passava por um ritual de limpeza espiritual, expulsava os maus espíritos e saía curado pela catarse, hoje tem transtorno bipolar, ou esquizofrenia, toma tarja preta, faz terapia a vida toda e não se resolve.


A necessidade de contar histórias persiste no ser humano, que hoje busca no cinema, na televisão, fontes de histórias e imaginação. Isto persiste, por nossa necessidade humana de trabalharmos os arquétipos em nossa psique. Quando contamos pruma criança sobre a princesa e a bruxa, estamos passando mais que valores morais e éticos, estamos trabalhando na criança os arquétipos que vão persegui-la por toda a vida. Ela precisa da bruxa pra projetar seu ego e seus lados negativos, quando contamos pra uma criança de três anos que bruxa não existe, pronto! Não há onde projetar o lado negativo de sua personalidade, começa um processo neorotizante, depois de adulta, vinte anos de terapia, etc.

Calma! Quando ela crescer ela vai saber que lobo mau não existe, é fundamental que contemos histórias uns aos outros, para que nossa capacidade de imaginar, de criar, seja sempre estimulada. Mas nem tudo está perdido, se hoje em dia não se acredita mais em saci, o E.T. de Varginha é real. Se não se conta mais as histórias da onça e do macaco, procuramos todos os dias no jornais as histórias urbanas. Os moradores do Rio de Janeiro contam as histórias da guerra do tráfico, do BOPE, da CORE e etc. A realidade mudou, a forma de se expressar necessariamente se adapta.

Taí o mito! Ele é invencível, graças a Deus!






Através da conectividade podemos nos comunicar com pessoas e saberes de qualquer parte do mundo, por outro lado, estamos nos isolando cada vez mais de nossas famílias, nossos amigos, nossa comunidade e nosso convívio social. Numa casa de classe média há uma televisão em cada quarto, um computador pra cada um, as pessoas passam cada vez menos tempo em família. Acontecem distorções, como nas operações policiais em que pais se surpreendem de que seus filhos estão ligados a quadrilhas e etc.

Tudo o que surge (cinema, internet, livro...) vem pra somar. Não precisamos abandonar o livro por causa do cinema, nem o cinema por causa da internet. São meios os quais temos à mão para elaborarmos nosso mundo interior e nossa relação com o mundo externo.



@cajuínas

quarta-feira, 27 de maio de 2009

PT X PMDB: quem anda com morcego acorda de cabeça pra baixo.

O PMDB mandou a conta: alta demais, querem quase metade do país (10 estados). Parece coisa pra inviabilizar algum acordo com o PT e justificar o apoio ao PSDB. Sinal dos tempos que se acabam para a era Lula. Começaram a debandar do navio.

Paga o governo por ter atencipado a disputa eleitoral em mais de um ano.

É assim mesmo numa democracia, o poder se alterna, e assim deve ser. Triste é ver no que o PMDB se tornou. O velho MDB de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, entre outros, com sua importância histórica para o país em sua luta pela democracia. Agora o PMDB de Sarney, de Renan Calheiros e patota.

Culpa nossa, brasileiros que somos, em termos optado por um modelo de país onde apesar da república ser federativa no nome, no fato é um país unitarista, onde o poder central de Brasília se sobrepõe aos poderes locais, transformando os prefeitos em pedintes de verbas, indo em massa ao presidente e à ministra em chefe com o pires na mão.

Hoje em dia um município de dois mil habitantes tem que necessariamente ser uma cópia em pequena escala da organização institucional federal. Se virá a revisão constitucional em 2011, que se discuta um país verdadeiramente federativo, com mais autonomia para os estados e os municípios, para que o poder local, mais próximo ao cidadão, seja mais efetivo. Devemos soltar as amarras do país e deixar que estados e municípios possam escolher sua forma de se organizar e resolver seus problemas. Há estruturas que em São Paulo funcionam, mas no Rio Grande do Sul não fazem sentido e etc.




Os EUA se organizaram assim, legislando estado a estado e o poder central, seja através da Suprema Corte, do Congresso Nacional americano ou da presidência da república entram para corrigir distorções e garantir os direitos civis dos cidadãos e os princípios democráticos que regem o país.

Enquanto insistirmos neste nosso modelo centralista vamos pagar caro ao PMDB, PT, PSDB, DEM ou o que seja, pois os interesses regionais, claro, se sobrepõem aos nacionais. Já que é assim o fato, que seja de fato.



@cajuínas

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Budapeste, pra quem não leu o livro, nem esteve na Hungria.



Budapeste (dir. Walter Carvalho) é um filme que vive, assim como seu personagem principal (José Costa, ou Zsoze Kósta, sua versão hungara - Leonardo Medeiros) uma dualidade. O filme vive entre a perigosa linha fronteiriça da linguagem épica (literatura) e dramática (do cinema ou teatro). A linguagem épica vive no tempo do pretérito (passado) enquanto a dramática no presente, além do que a construção da linguagem épica se dá através do narrador, ja a cinematográica, se dá através das cenas vividas pelos persongens. Portanto, quando o filme começa com uma locução ao fundo, há uma interferência de linguagens complicada. Ainda mais que a mixagem sonora, colocou a voz em canal mono, saindo de todas as caixas de som (direita e esquerda) criando ainda mais a sensação da chamada "voz de Deus", ou seja, uma voz totalmente destacada do filme, ou do universo de vivência da história.

Esta confusão se faz ainda presente na atuação da fase brasileira do filme (
não tenho como analizar a interpretação em húngaro), os atores quase declamam, e estão um tom um pouco acima, tanto na respiração, quanto na na decupagem das falas. O filme traz a impressão de que foi feito numa outra época do cinema brasileiro, nada contra, afinal ver a Geovanna Antonelli, Débora Nascimento ou a Paola de Oliveira nuas, é de marcar o coração. Mais outra dualidade que o filme vive está entre contar a história proposta ou fazer homenagens a filmes e cineastas. A homenagem dentro de um filme pode levar o espectador a lembrar do objeto homegeado e esquecer por instantes a trama que vem seguindo. O mesmo se dá quando Chico Buarque aparece, pra nós brasileiros é um prazer poder vê-lo, mas também gera o ruído da lembrança de que ele é o Chico, e não um personagem da trama.

A sonorização do filme tem altos e baixos, mas no geral deixa a desejar, a direção musical beira o melodramático. A mixagem sonora perde em cenas como a do grupo de samba na praia. A cena em si já é esquisita, mal construida, com os figurantes perdidos em cena, e a sonorização não ajuda, colocando a música totalmente, em termos de volume, acima do som ambiente, e sem nenhuma preocupação espacial quanto à origem do som. Já em Budapeste (a cidade) a direção musical parece se acertar.



A edição cumpre seu papel, talvez pudesse ter utilizado menos fades, mas corre no ritmo que a direção propôs. A fotografia é um muito bem realizada, predominantemente fria no Rio e quente em Budapeste. Linda a cena da estátua de Lenin descendo o Danúbio (mais uma homenagem), e belíssima cena em que Costa e Kriska (Garbiella Hámori) têm seu primeiro diálogo, enquanto ela patina. Logo em seguida, assim que param, no meio da cena, há uma abrupta mudança de luminância (tons brancos e pretos com os cinzas que contém), pode ter sido da cópia que assisti, ou talvez o tape to tape (a lapidação da fotografia cena a cena na pós-produção) tenha tido uma emenda mal corrigida. A cena onírica do escritor anônimo ficou forçada, pareceu teatral demais, com o fog (fumaça branca) vindo de trás do personagem que era quase que a morte de o Sétimo Selo (mais uma).



No final o personagem de Kósta olha para a câmera (mais homenagem), e explode o que chamamos de quarta parede, ou seja assume que aquilo é um filme, um espelho revela a câmera (outra homenagem) e escutamos o diretor hungáro e o brasileiro cortando a cena. Este recurso é muito delicado, pois cria um efeito que pode ser traduzido do alemão pro português como estranhamento, ou afastamento. (quem estudou bem o assunto foi Bertold Brecht, teatrólogo comunista e revolucionário alemão), Neste momento o epectador lembra que tudo não passa de uma ficção, e ao invés de usar a emoção na sua relação com o filme, utiliza a reflexão, para criticar a si e seu mundo social, ou político. O objetivo do estranhamento de Brecht era a revolução socialista, num período em que ocorreram as guerras mundiais, o nazismo, as revoluções operárias e a expansão do socialismo soviético. Brecht propunha a reflexão proletáriaoptado não pelo estranhamento crítico das cenas, mas ao contrário, com seu tom melodramático, forçou no sentido contrário, o emocional.

O roteiro vai lentamente misturando a realidade de Costa com os seus livros e a realidade que constrói para si. Creio que o roteiro se coloca muito bem. Não creio que era a intensão do roteiro dar a Costa dúvidas quanto ao seu amor por Vanda (Geovanna Antonelli) como a imprensa vem noticiando, pelo contrário, ele não vive sua realidade com Vanda, e seu filho em comum é descontruído no filme, gordinho, sempre dormindo, com farelos de comida na roupa. Talvez entre a virada final e o clímax (onde o personagem enfrenta o conflito motriz do filme), houve um tempo demasiado.

Fiquei na espectativa
de como seriam as ruas de Budapeste, já que no livro elas levam os nomes de joagaderes de futebol, mas um livro é um livro, assim como um filme a partir de um livro deve esquecê-lo e ter sua vida própria.




Aumentou minha vontade de visitar a cidade.











@cajuínas

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Caos Aéreo, como assim? O Brasil precisa entrar nos trilhos.



É fundamental que o Brasil faça sua malha ferroviária em cima dos novos trens super velozes. O trem Rio-são Paulo vai levar mais de dez anos pra ficar pronto, então temos que começar logo. É urgente que se feche ferroviariamente o cinturão Rio-Belo Horizonte-São Paulo. Devemos investir também numa linha São Paulo-Buenos Aires, e noutra São Paulo- Brasília, a qual se entroncaria com o cinturão Rj-SP-BH. Essas linhas são urgentes, a partir daí podemos começar as ligações, DF- Centro oeste, DF-norte, SP-Centro Oeste, Bh-nordeste e Rj-nordeste (pelo litoral).





Esta questão ferroviária é fundamental não somente para o desenvolvimento econômico e para o fluxo de mercadorias, mas vai facilitar a tão sonhada interiorização populacional do país, que só poderá vir a reboque da interiorização econômica. Este fluxo vai diminuir a pressão populacional das capitais litorâneas, ou seja, vai ajudar na solução para o déficit habitacional, da violência urbana, para a falência do sistema de saúde, e para a incapacidade das grandes cidades de prover educação para suas populações.






Brasília foi feita a toque de caixa sem uma malha ferroviária que justificasse sua construção e assim possibilitasse tanto o acesso popular aos poderes federais, quanto o sonho de interiorizar o Brasil.

Esta questão já está mais de um século atrasada.
Há possibilidades através das PPPs (parceria público privada) e do financiamento público de se levar o país diante. O custo das passagens pode ficar alto, mas há alternativas, como vagões mais caros (luxuosos ou os mais populares), cabines, e mais, óbvio, vagões restaurantes, vagões bares, vagões cinema, cybercafé, etc, que possibilitariam outras formas de serviço e portanto lucro para as operadoras de trens.

Agora que os atrasos aéreos não publicam mais primeiras páginas escandalosas ou enfurecidas, que não se quebra-quebra mais nos aeroportos, a classe média de dignou, relaxou e gozou e o assunto voou da pauta do dia para aterrisar em uma gaveta de algum ministério obscuro qualquer.

Mas isto é urgente!!!!














@cajuínas

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Anjos e Demônios, nem tanto ao céu nem tanto à terra




O novo filme de Ron harward (Anjos e Demônios) é na verdade uma gincana cinematográfica, uma corrida contra o tempo em busca de soluções para mistérios, que são pistas para outros mistérios.

Boa fotografia, tons quentes, e bom uso de movimentos, travellings (destaque para o skate/motion na primeira cena- a do anel) , gruas e steadys, por vezes exagera um pouco, mas faz parte do gênero. A fotografia consegue nos apresentar o Vaticano com suas igrejas, a Capela Sistina, o Panteon, etc, o que é o maior prazer do filme. Lindas as cenas aéreas.

Edição correta, promove o suspense e dá ritmo. Sonorização muito bem feita. Ambas conseguem criar o ambiente de beleza do Vaticano junto com o fervor religioso, o fanatismo e a superstição.



Tom Hanks pilota no automático, também não havia muita necessidade de ir além, afinal não é um filme de grandes conflitos do personagem. Seu maior conflito passa à margem do roteiro, que é caminhar entre o conhecimento científico e a fé, ou o conhecimento mítico. Digo que passa a margem pois só é apresentado em acusações ou diálogos dos outros personagens, não há realmente no professor Langdon, esta questão atormentando. O diálogo em que o Camerlengo lhe pergunta se crê em Deus, obtém uma resposta de negação que é na verdade uma admissão de que Deus existe. Para por aí, o importante é descobrir o enigma dos Iluminatti, e não, ser existencial.

A maior fraqueza do roteiro é justamente, após apresentar um enigma fenomenal, onde se apresenta uma sociedade secreta secular, de conhecimentos ocultos, infiltrada no Vaticano e etc. Esta terrível sociedade se resume a um homem fanático e enlouquecido. Assim como ocorreu no Código Da Vinci. Isto enfraquece o roteiro, pois quando o antagonista oculto é apenas um homem, e não uma terrível sociedade secreta, esvazia-se o nó dramático, esvaziando assim o protagonista, o qual deixa de ser um ser em conflito, para ser um detetive histórico-iconográfico-mítico.

Há o grande valor do filme de nos apresentar história, artistas como Michelangelo, cientistas como Galileu, um pouco da história do papado, um pouco de como funciona a igreja, e isso tudo nos desperta a vontade de conhecer um pouco mais. Após o imenso sucesso do Código Da Vinci, o interesse por arte renascentista, história e sociedades secretas explodiu.

É uma diversão leve mas sem grandes pretensões.



@cajuínas

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Prenderam o Batman, agora falta o Coringa! ( o que o transporte público tem haver com isso tudo-fevela, milícia, tráfico?)


Excelente operação que a polícia civil realizou ontem para capturar o ex- PM Ricardo Teixeira da Cruz, conhecido como Batman. Batman foi preso em uma arapuca muito bem montada, assim que chegou em casa, o helicóptero sapão entrou em ação iluminando a casa e a polícia anunciou o cerco. Parece coisa de filme. Parabéns à CORE pela operação (Dr Marcos atual coordenador e quem chefiou a operação).

Batman deu uma entrevista que pode ser vista no youtube, onde podemos observar como funciona a cabeça de um miliciano no Rio de Janeiro hoje. Não se considera criminoso, apesar de admitir explorar o transporte ilegal, e matar traficantes (a quem considera os verdadeiros criminosos). Como todo processo comercial, o miliciano também vai se especializando e assim ramificou suas atividades econômicas nas máquinas de caça niqueis, gatonet, gás, gato d'água, de luz, prostituição, etc. Mas Batman se vê como um injustiçado e na verdade um protetor da comunidade a qual pertence.

As mílicias já mostraram sua face e a sociedade carioca finalmente acordou para o problema, afinal estes grupos conseguem se ramificar dentro do estado, dos poderes executivos, legislativo, judiciário, das administrações públicas, etc.

Não se combate ilegalidade com ilegalidade, assim o carioca entende como deve ser o processo de combate à criminalidade e ao tráfico. Óbvio que o Batman não tem esse poder todo de articulação sozinho, há grupos de comerciantes e políticos apoiando-o e às milícias. Óbvio. Não se pode esquecer que nos primeiro lugares onde surgiram as mílicias, elas vieram da organização dos comerciantes locais para impedir os assaltos. À princípio a população apoiou a iniciativa e com o respaldo popular, veio o crescimento. Não esqueçamos que a própria TV Globo fez uma novela onde mostrava o miliciano como herói.





Tudo, como sempre, começa com a ausência do estado.


Mas o estado se ausenta porque a sociedade se omite. As favelas foram surgindo e como avestruzes, procuramos enterrar nossas cabeças para o problema. A favelização é uma solução para o déficit habitacional, mas uma solução à brasileira, a gente finge que não existe, que não vê e até se beneficia do fenômeno, até que ele começa a incomodar. Quando isso ocorre? Quando as blaas perdidas atingem nossos prédios, quando somos assaltados.

Agora as favelas estão aí, são por volta de mil e quinhentas em todo o estado. Assunto pra se resolver com seriedade, a remoção não é possível, a ocupação no modelo do que está sendo feito no Dona Marta, na Cidade de Deus e será feito agora no Leme, exige recursos que provavelmente não teremos. Pra se ter uma idéia, após dois meses de conflitos no complexo do Alemão, dezenas de mortos, a força nacional se mostrando ineficaz para a tarefa (tomou uma surra no único tiroteio em que se envolveu), se apresentou a conta: sería necessário pelo menos um bilhão de reais para se continuar a ocupação, sem contar no custo em vidas e etc.


Um problema do tamanho da nossa falta de sensibilidade. Vejamos: qual família gosta de contratar uma doméstica que more longe e tenha que pegar três ônibus até chegar ao serviço? Muito mais fácil contratar alguém que more perto, que tal alguém da favela do bairro? Por outro lado é um crime sem proporções as condições de transporte no Rio de Janeiro. Uma pessoa que more em Austin, por exemplo, leva quase três horas para chegar ao centro da cidade, sendo transportado em condições piores que o gado que vai pro abate. Daí surge o transporte alternativo... Batman... etc.

Mas se nós queremos melhorar as condições do transporte coletivo e de massas somente pras classe mais pobres, também não vamos conseguir seguir adiante, afinal, o que queremos é resolver os problemas das classes médias (desculpem o cinismo, mas faço uma análise fria).



Na europa e nos EUA, viver nos subúrbios é um luxo da classe média. Não devemos melhorar os transportes somente para que o pobre se mude da Rocinha para Santa Cruz, mas devemos fazê-lo para que possamos também, nós classe média, morarmos em Itaipava e chegarmos ao centro da cidade em vinte e cinco minutos. Para que as empresas possam mudar suas sedes para regiões mais afastadas do centro. Cabe ao governo do estado também fazer sua parte, e começar um estudo visando a transferência da administração estadual para o interior do estado, como fizemos com Brasília. Mas Brasília foi feita à toque de caixa, sem nenhuma malha ferroviária para dar suporte, em cinco anos. Podemos levar um pouco mais de tempo, dez à quinze, ou vinte, criando uma estrutura de transporte, logística e metropolitana.





@cajuínas

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Os neomercenários da era Bush. (ainda estão na ativa.)

Blackwater - Jeremy Scahill

Impressionante este livro. Não traz nada de teorias de conspiração, e nem revela nada oculto. É todo referenciado com notas, e suas informações são todas públicas.

O impressionante é a privatização militar americana, em bom português: o uso de mercenários. O Mercenário não tem bandeira, não tem ideologia, não tem escrúpulos, códigos de conduta, nem controle da sociedade.


A Blackwater é a maior empresa de "segurança privada" dos EUA, na verdade, uma empresa de guerra, mercenária, um exército particular. Fatura milhões e seus funcionários não respondem à Convenção de Genebra, ou qualquer lei, quando atuam fora dos EUA não respondem às leis americanas. Ou seja, podem matar, torturar, passar com os carros blindados por cima, atirar antes de qualquer ataque, enfim, tudo aquilo que achamos que só acontece em filmes.


A Blackwater está envolvida nas chamadas "ações encobertas" do governo americano na luta contra o terrorismo, ou:
"Black bag". Isto significa aquilo que realmente parece, estiveram presentes e Abu Ghraib, e outros centros de tortura, sabotagens, operações secretas, assassinatos de líderes políticos, e toda a sujeira que pode estar escondida por baixo desta água escura.



A empresa surge dentro da idéia ultra-conservadora liberal que apoiou o governo Bush e se baseia em princípios cristãos conservadores americanos: liberdade absoluta de mercado, contra o aborto, contra o homossexualismo, a favor da abstinência sexual, a favor da família e do casamento, contra outras religiões e principalmente a favor da guerra como instrumento legítimo de implementação dos seus ideais.

Muito preocupante. Vejamos o que o Obama vai fazer com eles. Eu posso estar maluco, mas isso me parece uma séria ameaça à democracia e aos direitos humanos e civis em todo o mundo.







@cajuínas

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Flamengo, assim você me mata do coração!





A magia do futebol, um esporte onde a beleza é o gol, o herói foi um goleiro. Bruno foi o gigante entre os astros. Nessa época em que o artista da bola cede lugar ao guerreiro da raça, qual outro esporte poderia ter tanta emoção, incerteza e expectativa? Um time começa ganhando de 2x0 e deixa o outro empatar, tudo vai pra ser decidido nos pênaltis, todo o esforço de todo um campeonato, treinos, jogos, expulsões, vitórias, derrotas, brigas, tudo se resume ao jogador de linha frente ao goleiro.










A mística rubro-negra está justamente nisto, esta capacidade de ser campeão apesar de tudo. Mesmo com um time limitado, mesmo com um campeonato em que perde uma semi-final prum time pequeno como o Resende, mesmo sem ataque, com jogador expulso, fazendo pênalti.






Que saudades da final no campeonato brasileiro. Tudo bem, o ponto corrido é mais justo. Mas e a emoção da final? Na final onde um time melhor, com melhor desempenho por todo o campeonato pode perder para um em piores condições, mas que talvez pulse o coração com mais garra.



A alegria do futebol, o imponderável, nenhum outro esporte tem este fator tão forte. Nenhum outro esporte é tão subjetivo, onde um mesmo lance visto e revisto nos replays da televisão tem interpretações opostas.






A escolha se faz entre desportividade e espetáculo. Os europeus preferem a desportividade, os americanos o espetáculo e talvez por isso a final do Superbowl dê mais lucro que toda a copa do mundo.


@cajuínas

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Programa do PPS

O Programa do PPS foi ao ar e a resposta foi muito positiva. Coloco duas vinhetas que ilustraram o espírito do programa. O conceito é o de modernidade, com a cara do povo brasileiro, e demonstração de carinho pelo país (a bandeira contracena com os modelos) .


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Um gaiato me manou esta montagem (desculpem, mas é engraçado):







@cajuínas