
Em 2006 realizei como diretor o filme "Histórias", que trata da necessidade de contar histórias em todas as culturas humanas ao redor do mundo. O filme aborda desde a pré-oralidade, quando o homem se expressava através de danças e desenhos, na oralidade, o homem desenvolve a fala e se expressa por ela, criando, contando e armazenando sua história, atravessa a escrita, quando a documentação escrita passa a ser o registro da cultura e da história humana e desemboca na era multimídia, onde temos o rádio, o cinema, a televisão e atualmente a internet como meios de expressão humana e registro histórico.
Quando o filme foi feito, o conceito de conectividade ainda não estava tão desenvolvido como hoje, com os smartphones e etc., que nos mantém sempre conectados à rede, e nos possibilitam sermos realmente o centro do universo, ou seja, obtemos informações seletivamente, de acordo com o nosso interesse, e produzimos informações pra rede (mundo), por e-mails, blogs, twitter, youtubes e etc.
O filme teve os DVDs esgotados e muitas pessoas ainda procuram, portanto coloquei em nosso canal no youtube, a TV Caju, a primeira parte, onde o filme trata da tradição oral.

A tradição oral traz uma ludicidade que aos poucos nós estamos tentando oprimir em nossa sociedade. Quando na roça antigamente, ao ver um redemoinho, se benzia o vaqueiro por acreditar ser um saci, hoje temos explicações físicas para o fenômeno. Pior, antigamente quem ouvia vozes, passava por um ritual de limpeza espiritual, expulsava os maus espíritos e saía curado pela catarse, hoje tem transtorno bipolar, ou esquizofrenia, toma tarja preta, faz terapia a vida toda e não se resolve.

Calma! Quando ela crescer ela vai saber que lobo mau não existe, é fundamental que contemos histórias uns aos outros, para que nossa capacidade de imaginar, de criar, seja sempre estimulada. Mas nem tudo está perdido, se hoje em dia não se acredita mais em saci, o E.T. de Varginha é real. Se não se conta mais as histórias da onça e do macaco, procuramos todos os dias no jornais as histórias urbanas. Os moradores do Rio de Janeiro contam as histórias da guerra do tráfico, do BOPE, da CORE e etc. A realidade mudou, a forma de se expressar necessariamente se adapta.
Taí o mito! Ele é invencível, graças a Deus!

Através da conectividade podemos nos comunicar com pessoas e saberes de qualquer parte do mundo, por outro lado, estamos nos isolando cada vez mais de nossas famílias, nossos amigos, nossa comunidade e nosso convívio social. Numa casa de classe média há uma televisão em cada quarto, um computador pra cada um, as pessoas passam cada vez menos tempo em família. Acontecem distorções, como nas operações policiais em que pais se surpreendem de que seus filhos estão ligados a quadrilhas e etc.
Tudo o que surge (cinema, internet, livro...) vem pra somar. Não precisamos abandonar o livro por causa do cinema, nem o cinema por causa da internet. São meios os quais temos à mão para elaborarmos nosso mundo interior e nossa relação com o mundo externo.
@cajuínas
Olá Paulo!
ResponderExcluirMeu nome é Débora Mazochi e tenho verdadeira paixão pelas histórias!!!
Quero parabenizá-lo pelo documentário "Histórias". Acabei de ver um trecho no youtube e gostaria de saber como posso adquirí-lo.
Sou fundadora do GRupo Aldeia Teatro de Bonecos e seria de suma importância podermos ususfruir de um exemplar de seu filme. É possível?
Conheça o site do Grupo e veja o espetáculo "YEPÀ" - www.grupoaldeia.com.br)
Mais uma vez, parabéns. Amei!
Um abraço!
Entre em contato :aldeiatb@gmail.com
Débora Mazochi- Belo Horizonte