
Vale a pena passar na locadora e pegar as temporadas completas desta série. The Shield é uma série que retrata uma delegacia policial americana, em um bairro violento de Los Angeles. Ao contrário das séries do gênero, como CSI, Lei e Ordem, não há super-tiras que sabem tudo. O grande mérito da série é apresentar personagens dúbios, humanos, em alguns momentos com medo, outros com coragem, egoístas, solidários, corruptos, nobres. Nas faixas dos dvds onde há os documentários com os produtores, percebemos o porque do resultado tão bom. Os roteiristas pesquisam a fundo o mundo marginal de L.A., os tipos, as gírias, os costumes. Foram construídos persongens muito interessantes:




A direção valoriza em muito o trabalho dos atores, ao invés de obrigá-los a se adequar às marcas de luz e câmera, é ao contrário, a luz é que se adapta e sempre filmam com duas câmeras para captar o trabalho dos atores. É interessante observar o cuidado com as interpretações sem fala, os olhares as contracenadas e etc.
A edição é um show a parte, são três editores se revezando, cada um edita um capítulo. Primeiro se montam as cenas, depois as colocam na ordem do roteiro, adequam ao tempo e a direção, a produção e a rede discutem. Segue a linha de valorização do trabalho dos atores e contracenações. A sonorização leva especial atenção, são oito profissionais, na segunda temporada há uma faixa que explica o processo. Eles optam por utilizar a trilha sonora com justificativa geográfica, ou seja, não há trilha incidental, as músicas sempre vêm de uma fonte que está em cena, como uma rádio.

No Brasil há uma linha de séries que se inspirou no The Shield. Entre elas: 9mm São Paulo, A Lei e o Crime e Força Tarefa. Esta última está mais para O Pantera, nada funciona, Murilo Benício que é um grande ator, faz um policial que masca chicletes... As atuações são pífias, as situações inverossímeis, as cenas de lutas risíveis (há uma cena de coronhada em que a arma nem toca o outro ator, podiam ter pelo menos resolvido na edição), a trilha sonora é irritante, e a fotografia tenta dar um clima noir que não funciona. A Globo deveria exigir mais pesquisa de campo de seus profissionais quando se propõe a fazer algo assim. Nesta a Record saiu na frente e tá a Globo correndo atrás...
@cajuínas
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